Onça é morta após participar de cerimônia da Tocha Olímpica

Onça mascote do Exército no Amazonas foi morta com um tiro de pistola após fugir e avançar sobre militar

Por O Dia

Juma durante passagem da Tocha por Manaus Divulgação

Manaus - Uma onça que participou de uma cerimônia com a tocha olímpica em Manaus, no Amazonas, na manhã de segunda-feira, foi morta logo após o evento. De acordo com o Comando Militar da Amazônia (CMA), o animal teria fugido da coleira e avançado em um militar durante operação de resgate no interior do Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva, conhecido como Cigs. 

A fuga teria acontecido logo após a exibição, quando militares tentavam colocá-la numa caminhonete para voltar para seu habitat natural. Uma equipe de tratadores, composta por veterinários especializados no trato, foi ao resgate da onça. Tranquilizantes foram disparados no animal, que mesmo dopado foi em direção a um dos militares. A onça Juma, como era conhecida, foi abatida com um tiro de pistola.

Como outra onça, apelidada de Simba, ela havia sido acorrentada e apresentada ao público durante a cerimônia. Após a morte do animal, o Comando Militar da Amazônia determinou a abertura de processo administrativo para apurar os fatos relacionados ao incidente.

O Exército diz que abriu um processo administrativo para investigar a morte do felino. Segundo o portal Amazônia Real, o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) não havia autorizado a participação de Juma no evento e poderá multar a corporação.

A tocha

Uma das passagens da Tocha foi no Centro de Instrução de Guerra na Selva durante o percurso do fogo olímpico até o barco, onde passou pelo Encontro das Águas. No local, Juma estava acompanhado de um dos tratadores e ficou bem próximo a um dos participantes do revezamento. 

Revolta nas redes sociais

Após a confirmação do abatimento do animal foi gerada uma onda de protestos nas redes sociais, condenando a participação de onças no evento e também a atitude dos militares. Mais tarde, em Iranduba, o revezamento da tocha teve a participação de golfinhos.

“Só estão se pronunciando por causa da repercussão. Quão desnecessário foi pôr a onça lá? Pergunta se em outro país teve isso? Ora, me poupe, menos uma vida só para diversão humana e esta m*rda que só trouxe prejuízo até agora”, ponderou uma internauta.

O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016 usou as redes sociais na tarde de ontem para repercutir a morte da onça-pintada. “Erramos ao permitir que a Tocha Olímpica, símbolo da paz e da união entre povos, fosse exibida ao lado de um animal selvagem acorrentado. Essa cena contraria nossas crenças e valores. Estamos muito tristes com o desfecho que se deu após a passagem da tocha. Garantimos que não veremos mais situações assim nos Jogos Rio-2016”, disse o comitê em uma série de postagens no Twitter e no Facebook.

Onças não são tão domesticáveis

Em entrevista à BBC Brasil, o biólogo João Paulo Castro explicou que Juma pode ter fugido após se estressar. “Não é saudável nem recomendável submeter um animal a uma situação como essas, com barulho e muitas pessoas em volta”, disse. “Muitas vezes a onça já vive numa situação precária e estressante no cativeiro, o que é agravado num cenário de agitação.”

Segundo Castro, é um erro tratar onças como animais domesticáveis. Ele afirma que são necessárias várias gerações em cativeiro para que uma espécie se acostume a conviver com humanos. O biólogo diz que onças apreendidas devem ser devolvidas à natureza ou levadas a refúgios, onde possam ficar soltas em amplos espaços.

Um veterinário de Manaus que já trabalhou com o Exército e pediu para não ser identificado defendeu o órgão das críticas. Segundo ele, ao cuidar de animais resgatados, a corporação assume uma função que deveria ser de outros órgãos públicos. Ele diz que os militares são muito cuidadosos com os animais e que a burocracia impede que muitos sejam devolvidos à natureza.

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