Acordo nacional entre PT e PSB desagrada diretórios e militância

Negociação de candidaturas em Minas Gerais e Pernambuco entre os dois partidos para enfraquecer campanha de Ciro Gomes (PDT) à Presidência provocou resistências dentro dos partidos

Por O Dia

Marília Arraes
Marília Arraes -

Rio - O acordo entre os Diretórios Nacionais do PT e do PSB desagradou diretórios municipais dos dois partidos. Na quarta-feira, o PSB decidiu pela neutralidade no primeiro turno das eleições presidenciais, enfraquecendo a candidatura de Ciro Gomes (PDT). Em troca, o partido de Lula retirou a candidatura da vereadora Marília Arraes ao governo de Pernambuco.

Em Minas Gerais, o PSB também retirou a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda ao governo de Minas Gerais, beneficiando o governador Fernando Pimentel (PT), que disputa a reeleição e se empenhou fortemente pelo acordo.

Os petistas vão apoiar os socialistas também nos estados do Amazonas, Amapá e Paraíba.

Por meio da sua conta no Twitter, o deputado Wadih Damous (PT-RJ) classificou a decisão do diretório nacional de grave erro político. "A decisão pró PSB em Pernambuco dói na minha alma e na alma da militância. Em nome de um acordo regional, afasta-se uma liderança promissora como Marilia Arraes."

O petista Tarso Genro também criticou o partido. "Peço a Deus e às forças do além, que eu não esteja entendendo bem que foi feito um acordo PT-PSB, que descarta a candidatura da Marília Arraes ao Governo de Pernambuco, o grande quadro renovador da esquerda do nordeste! Aguardemos!", escreveu no Twitter.

O diretório do PSB em Belo Horizonte divulgou nota na noite desta quarta-feira repudiando o acordo firmado entre o diretório nacional da legenda com o PT e mantendo a candidatura de Marcio Lacerda ao Palácio da Liberdade, em detrimento da retirada deste em favor de Fernando Pimentel (PT-MG).

O pré-candidato do governo de Minas, Marcio Lacerda (PSB) também publicou uma nota em sua conta no Facebook repudiando o acordo nacional. Ele se disse surpreendido pelo PSB. "A mim foi oferecida, como alternativa a candidatura ao governo do Estado, a candidatura ao Senado em uma composição com o Partido dos Trabalhadores, sugestão com a qual prontamente discordei. Recebi esta comunicação com indignação, perplexidade, revolta e desprezo”, escreveu.

O diretório do PSB em Belo Horizonte defendeu a "não aceitação" e a "resistência" do PSB em Minas Gerais para impedir que o partido apoie a reeleição do governador Fernando Pimentel (PT).

Na nota divulgada na quarta-feira pelo Partido dos Trabalhadores em sua página no Facebook, militantes criticaram o abandono da candidatura de Marília Arraes em Pernambuco para sufocar a candidatura de Ciro Gomes (PDT). "Respeite a militância do PT de Pernambuco, queremos Marília Arraes governadora", escreveu um internauta.

Em entrevista à GloboNews na noite desta quarta-feira, o pedetista disse não saber o que fez para merecer esse tipo de tratamento do PT. "O trabalho do cidadão é viabilizar-se e inviabilizar os adversários. [...] Eu fui extremamente leal ao Lula", disse. A campanha de Ciro tentava atrair o PSB para formar uma chapa.

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