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Rompimento de barragem em Brumadinho deixa ao menos 300 desaparecidos

Lama agora começa a chegar ao centro do município, pelo leito do Rio Paraopebas, que abastece 6 milhões de pessoas. Um comitê avalia que Brumadinho pode ter mais vítimas do que Mariana

Por O Dia

Área administrativa da Vale, onde estavam funcionários, foi atingida, assim como a comunidade da Vila Ferteco. A lama agora começa a chegar ao centro do município
Área administrativa da Vale, onde estavam funcionários, foi atingida, assim como a comunidade da Vila Ferteco. A lama agora começa a chegar ao centro do município -

Minas Gerais - Ao menos 300 pessoas estão desaparecidas após o rompimento da barragem 1 da Mina Feijão, da mineradora Vale, em Brumadinho no início da tarde desta sexta-feira, segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. O prefeito de Brumadinho, Avimar de Melo (PV-MG), informou que sete corpos já foram encontrados. 

Segundo a empresa, a área administrativa, onde estavam funcionários, foi atingida, assim como a comunidade da Vila Ferteco. A lama agora começa a chegar ao centro do município, pelo leito do Rio Paraopebas, que abastece 6 milhões de pessoas. Por enquanto, quatro pessoas foram socorridas e encaminhadas ao hospital.

Barragem de rejeitos da mineradora da Vale se rompe e atinge Brumadinho, em Minas Gerais - Divulgação/Corpo de Bombeiros

Um sistema de Comando de Operações foi estruturado no Centro Social do Córrego do Feijão, nas proximidades do campo de futebol e da igreja católica da cidade. Em nota, os Bombeiros informaram que "vários órgãos, principalmente de segurança pública, estão no local e em reunião neste momento definindo as estratégias de atendimento".

O acidente aconteceu na altura do km 50 da Rodovia MG-040. Os Bombeiros enviaram equipes com policiais civis e militares, com enfermeiros e medicamentos, além de cinco aeronaves e um helicóptero. Também foram acionados militares do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres (Bemad).

Mais vítimas do que Mariana

Uma equipe do Comitê de Crise criado para acompanhar o rompimento das barragens avalia que o desastre do início desta tarde de sexta-feira, pode ter proporções maiores do que o acidente ocorrido há três anos, em Mariana.

Apesar do volume de resíduos lançados ao meio ambiente após o rompimento de barragens em Brumadinho ser menor que o de Mariana, o acidente atingiu a parte administrativa da Vale, onde trabalham 613 pessoas, em três turnos, além de 28 profissionais terceirizados. O receio é de que o número de vítimas no acidente de hoje seja bem mais elevado, sobretudo de funcionários da empresa.

A equipe também acompanha o risco de os dejetos atingirem o Rio Paraopeba. Caso esse cenário se concretize, há a possibilidade de o abastecimento de Belo Horizonte ser atingido. Uma operação de emergência, para envio de água para áreas afetadas pelo abastecimento, já começa a ser desenhada.

Bolsonaro cria gabinete de crise

Em pronunciamento oficial, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou que irá para Brumadinho na manhã deste sábado, e irá sobrevoar a região para avaliar os estragos. "Vamos tomar todas as medidas cabíveis para melhorar o sofrimento em famílias e a questão ambiental".

O presidente acionou três ministros – Gustavo Henrique Canuto, de Desenvolvimento Regional, Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Bento Costa Lima Leite, de Minas e Energia – para, junto ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema, criar um gabinete de crise para tratar o caso.

Volume

Segundo informações do site da Vale sobre as barragens da região, a barragem 1 foi construída em 1976 e tem volume de 12,7 milhões de m³. Atualmente, a barragem não receberia material, pois o beneficiamento do minério na unidade é feito a seco, ainda de acordo com o site. O Ibama havia informado inicialmente que havia 1 milhão de m³ de rejeito no local. Para efeito de comparação, a barragem da Samarco que em 2015 se rompeu, soterrando o distrito de Bento Rodrigues e matando 19 pessoas, tinha 50 milhões m³ de rejeitos.

MPMG acompanha situação

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deslocou uma equipe do Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais (Nucrim) para verificar e avaliar, juntamente com outras autoridades ambientais do estado, a extensão dos danos causados pelo rompimento de barragem de mineração na região de Brumadinho, a cerca de 50 km de Belo Horizonte, ocorrido na tarde desta sexta-feira, 25 de janeiro.

Relembre Mariana

Há mais de três anos, no dia 5 de novembro de 2015, uma barragem da mineradora Samarco se rompeu na cidade de Mariana, em Minas Gerais, naquela que ficou conhecida como a maior tragédia ambiental do país. A lama invadiu os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu, deixou 19 mortos e incontáveis perdas para as famílias da região, que até hoje sentem perdas físicas e psicológicas.

Ruínas em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, dois anos após a tragédia do rompimento da Barragem de Fundão, da mineradora Samarco - José Cruz/Agência Brasil

 

* Com informações do Estadão Conteúdo

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Área administrativa da Vale, onde estavam funcionários, foi atingida, assim como a comunidade da Vila Ferteco. A lama agora começa a chegar ao centro do município Reprodução TV Record
Barragem de rejeitos da mineradora da Vale se rompe e atinge Brumadinho, em Minas Gerais Divulgação/Corpo de Bombeiros
Hospital acionou um plano de atendimento especial para múltiplas vítimas da tragédia em Brumadinho Reprodução Google Street View
Barragem da mineradora Vale se rompe e atinge Brumadinho, em Minas Gerais Divulgação/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais
Rompimento de barragem em Brumadinho Divulgação
Novas regras podem ser aplicadas, por exemplo, à ação em que o INSS reivindica da Samarco o valor de R$ 6,5 milhões referente aos gastos após Mariana Antonio Cruz/Agência Brasil
Barragem de Fundão se rompeu em novembro de 2015, em Mariana, deixando 19 mortos e um rastro de lama no Rio Doce José Cruz/Agência Brasil
A barragem da mina do Feijão, situada em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), se rompeu nesta sexta-feira (25). Segundo o Corpo de Bombeiros, o rompimento ocorreu na altura do km 50 da Rodovia MG-040. Um helicóptero dos bombeiros sobrevoava a região em busca de vítimas. Quase três anos depois do rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco (Vale e BHP), em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015, mais um desastre ameaça o Estado. UARLEN VALERIO/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO

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