'Milícias têm de ser enfrentadas', diz Mourão sobre desabamento no Rio

Vice-presidente disse que estado tem que ter maior controle sobre determinadas áreas

Por ESTADÃO CONTEÚDO

Poucos dias antes de iniciar viagem à China, onde ficará por cerca de dez dias, o vice afirmou que o governo está em clima de expectativa sobre a proposta que os chineses irão apresentar sobre a chamada Nova Rota da Seda
Poucos dias antes de iniciar viagem à China, onde ficará por cerca de dez dias, o vice afirmou que o governo está em clima de expectativa sobre a proposta que os chineses irão apresentar sobre a chamada Nova Rota da Seda -

Rio - O vice-presidente, general Hamilton Mourão, isentou o governo federal de qualquer responsabilidade sobre a queda de dois prédios na comunidade da Muzema, zona oeste do Rio de Janeiro, e afirmou que as milícias, que dominavam a região, devem ser enfrentadas.

Em entrevista à Radio CBN na manhã desta terça-feira, 12, Mourão disse que o Estado do Rio tem que ter maior controle sobre determinadas áreas. "A gente sabe que aquelas áreas são dominadas por facções. Então o que sobra para o governo federal é mais um auxílio ao Estado em relação a alguma necessidade que ele precise nessa busca pelos corpos das pessoas que estavam nos dois prédios e também um prazo maior à cooperação com a questão da Segurança Pública", disse.

Para Mourão, há necessidade de se buscar uma forma de atuação coordenada entre as três esferas de governo para combater as facções criminosas. "(as facções e milícias) Têm que ser enfrentadas, não pode fugir disso aí. Tem que buscar uma forma de atuação coordenada entre os três entes da federação para que o Estado desempenhe o seu papel. É inadmissível que existam locais que as forças legais, ou os próprios trabalhadores de companhias de luz, de gás, da água, não possam entrar", declarou

A comunidade da Muzema é uma área sob o domínio de milícias - grupos paramilitares formados por PMs, militares, agentes penitenciários, civis, que exploram ilegalmente vários negócios. Um dos mais conhecidos seria o da construção irregular.

Em janeiro deste ano a Operação Os Intocáveis prendeu cinco pessoas por grilagem de terras em Rio das Pedras, Muzema e redondezas, dentre elas o major da PM Ronald Paulo Alves Pereira e o tenente reformado Maurício Silva da Costa, o Maurição. Os dois são apontados como chefes da milícia, ao lado de Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope, que ainda está foragido. Mãe e esposa de Nóbrega eram empregadas no gabinete do então deputado estadual Flavio Bolsonaro até novembro do ano passado. Os outros presos na ocasião foram Manoel de Brito Batista, o Cabelo; Benedito Aurélio Ferreira Carvalho, o Aurélio; e Laerte Silva de Lima.

A Prefeitura confirmou que os prédios que desabaram são irregulares e estavam interditados desde novembro de 2018.

Nesta semana, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, disse que as milícias do Rio de Janeiro surgiram com uma "boa intenção de ajudar as comunidades", mas que se desvirtuaram.

Em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores na Câmara dos Deputados, o ministro afirmou que, durante a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, os militares mapearam a atuação das milícias. "Foi mapeado e entregue às forças de segurança do Rio de Janeiro", disse.

Bolsonaro

Até as 14 horas desta sexta, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), não havia se pronunciado sobre a tragédia no Rio. 

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