Em pronunciamento, Bolsonaro minimiza efeitos do novo coronavírus no Brasil - Reprodução
Em pronunciamento, Bolsonaro minimiza efeitos do novo coronavírus no BrasilReprodução
Por O Dia
Rio - O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, na noite desta terça-feira, contrariou orientações de especialistas e medidas adotadas em todo o mundo para conter a pandemia do novo coronavírus. Em seu discurso, Bolsonaro minimizou a doença e criticou medidas de isolamento como o fechamento de escolas e do comércio.
Leia: Autoridades criticam fala de Bolsonaro sobre fim do isolamento por causa do coronavírus

As declarações foram criticadas por diversas autoridades. No Brasil, há 46 mortes confirmadas pela doença. As últimas 24 horas tiveram o maior salto em um único dia, foram doze.
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Confira argumentos do presidente que contradizem autoridades em Saúde:
"Itália tem clima totalmente diferente do nosso"
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Bolsonaro responsabilizou a imprensa por espalhar pavor no Brasil, noticiando a crise enfrentada pela Itália, na contenção da pandemia. "Um país com grande número de idosos e com um clima totalmente diferente do nosso", disse. Pesquisas apontam que o clima brasileiro não garante contenção do covid-19.
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"Vírus brevemente passará"
"O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará", declarou Bolsonaro seu pronunciamento. A afirmação contradiz o Ministério da Saúde. O chefe da pasta, Luiz Henrique Mandetta,  previu um aumento das infecções em abril, maio e junho, seguido de estabilização em julho e agosto e decréscimo da curva em setembro.
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"Devemos, sim, voltar a normalidade"
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"Devemos, sim, voltar à normalidade. Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, como proibição de transporte, fechamento de comércio e confinamento em massa", defendeu o presidente. A orientação é contrária à do Ministério da Saúde, que na última segunda-feira pediu à população que evitasse aglomerações que evite ao máximo sair de casa. "Neste momento, é muito importante evitar aglomerações para se prevenir e prevenir as pessoas que você ama do #coronavirus", escreveu a pasta por meio de sua conta oficial no Twitter.
 
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Em outra publicação, o Ministério da Saúde afirma que o isolamento domiciliar e o distanciamento social é a forma mais eficaz do país retardar um grande número de casos e a suas consequências.
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"Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos"
"Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade", defendeu Bolsonaro. Economistas, como Monica de Bolle, da universidade americana Johns Hopkins University, que monitora a pandemia, classifica como falacioso o argumento de que os efeitos econômicos do isolamento social seriam piores do que a volta à normalidade.
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"Remover as medidas sanitárias prematuramente é uma sentença de morte não só para os doentes de covid-19, mas para os sistemas de saúde, e para a economia. Só há uma saída: aguentar o tranco da longa quarentena para impedir a perda de muitas, muitas vidas", escreveu De Bolle. A pesquisadora lembra que estudos sobre a Grande Depressão mostram que tempos econômicos duros não matam como se imagina e defende uma renda emergencial para brasileiros durante a crise, entre outras medidas.
“Por que fechar escolas?”
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"O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Então, porque fechar escolas?", indagou Bolsonaro. O fechamento de escolas para combater a pandemia está sendo adotado por pelo menos 156 países no mundo, segundo levantamento da Unesco. O órgão estima que 1,4 bilhão de alunos foram afetados: 82,5% dos estudantes do mundo. Em sua maioria, as crianças têm desenvolvido uma forma leve ou assintomática da doença, o que dificulta rastreá-la neste público. Sem saber que carregam o vírus, elas passam a por em risco os mais velhos.
Na terça-feira, o Ministério da Saúde anunciou estar suspensa a vacinação de rotina de crianças. "É uma forma de prevenir a transmissão de doenças respiratórias para os idosos", explicou.
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"Raros são os casos com menos de 40 anos de idade"
"Noventa por cento de nós não teremos qualquer manifestação, caso se contamine", argumentou, Bolsonaro. A Organização Mundial da Saúde alerta para os riscos de internação para os mais jovens. "Para os mais jovens: vocês não são invencíveis", disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
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"Pelo meu histórico de atleta, não precisaria me preocupar"
"No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho", declarou. Um histórico de vida fisicamente ativa contribui para um envelhecimento saudável, mas, não é possível prever o quadro de infecção de covid-19 para um ex-atleta.