De acordo com Renan, outra bandeira levantada pelo governo foi a defesa "incondicional e reiterada" do uso de cloroquina e hidroxicloroquina, bem como de outros medicamentos)Divulgação/Agência Senado/Jefferson Rudy

Brasília - O senador Renan Calheiros (MDB-AL) realizou nesta quarta-feira, 20, a leitura do relatório final da CPI da Covid. Em seu parecer, Renan responsabilizou diretamente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pelo descontrole da pandemia no país.

O senador acusou Bolsonaro de agir deliberadamente para atrasar a compra de vacinas contra a covid-19. "Com esse comportamento o governo federal, que tinha o dever legal de agir, assentiu com a morte de brasileiras e brasileiros", disse Renan, para quem 120 mil mortes poderiam ter sido evitadas com a antecipação das doses.

Para Renan, o governo foi omisso e agiu de forma "não técnica e desidiosa" no enfrentamento da pandemia, expondo "deliberadamente" a população ao risco de infecção.

O papel de Bolsonaro

Calheiros também pontuou que o discurso adotado pelo governo federal, especialmente por Bolsonaro, deu ênfase em proteger e preservar a economia, afastando medidas como o isolamento social. O senador também citou a existência de um gabinete paralelo na atuação em favor de medidas ineficazes no combate à covid-19.

“O governo federal foi omisso e optou por agir de forma não técnica de desidiosa no enfrentamento da pandemia, expondo deliberadamente a população a risco concreto de infecção em massa. Comprovou-se a existência de um gabinete paralelo, a intenção de imunizar a população por meio da contaminação natural, a priorização de um tratamento precoce sem amparo científico de eficácia, o desestímulo ao uso de medidas não farmacológicas”, disse. Confira o momento:
De acordo com Renan, outra bandeira levantada pelo governo foi a defesa "incondicional e reiterada" do uso de cloroquina e hidroxicloroquina, bem como de outros medicamentos. O parlamentar lembrou que as declarações de Jair em defesa de medidas ineficazes contra o vírus se mantiveram em 2021, a exemplo de seu discurso na abertura da 76º Assembleia Geral da ONU.

“A opção levada a cabo sobretudo pelo chefe do Executivo federal contribuiu para uma aterradora tragédia, na qual centenas de milhares de brasileiros foram sacrificados e outras dezenas de milhões foram contaminados”, criticou o senador. Veja:
Calheiros também pontuou que, se medidas não farmacológicas tivessem sido aplicadas de forma sistemática no país, poderiam ter reduzido os níveis de transmissão da covid-19 em cerca de 40%, o que significa que 120 mil vidas poderiam ter sido salvas até o final de março de 2021.
O relatório final deve ser votado no próximo dia 26 e ainda poderá sofrer alterações, após sugestões de senadores.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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