Avião caiu na Avenida Marques de São Vicente, na Barra FundaNelson Almeida/AFP

Um pouso forçado em uma das avenidas mais movimentadas da Zona Oeste de São Paulo terminou com a morte dos dois ocupantes de um avião, um ônibus incendiado e pelo menos dez pessoas feridas na última sexta-feira (7). A Aeronave teve três inconformidades apontadas na fiscalização, de acordo com o documento assinado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O comunicado foi enviado um dia antes do acidente, na quinta-feira (6).
As inconformidades apontadas na vistoria são em relação ao computador de dados aéreo, ao para-brisas e ao sistema de degelo. Isso não implica, segundo a Anac, que a aeronave não pudesse operar normalmente.
A causa da queda ainda está sendo investigada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que agora vai analisar esse conflito de informações. O avião caiu na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda. 
O comunicado estipula prazo de cinco dias para que o responsável pela vistoria responda aos questionamentos, "via protocolo, a contar do recebimento do presente e-mail, prazo após o qual, se não houver resposta, a aeronave estará sujeita a providências administrativas".
De acordo com a agência, a vistoria é o procedimento que atesta a conformidade do equipamento no momento de sua importação, que ocorreu em 24 de novembro de 2024, dos Estados Unidos. A Anac ressaltou, no entanto, que a aeronave entrou no Brasil com Certificado de Aeronavegabilidade válido - ou seja, ela estava apta para operar no país, sem restrições. 
"As informações enviadas pela Anac ao Profissional Credenciado sobre as não conformidades encontradas dizem respeito ao registro documental da vistoria apresentada à Anac. A aeronave adentrou o país com seu Certificado de Aeronavegabilidade (CA) válido. Com o CA válido, não há restrições. Significa que a aeronave estava apta para operar normalmente", disse à agência em nota. O comunicado da Anac não detalhou a gravidade das inconformidades.
Acidente
Gustavo Carneiro Medeiros e Márcio Louzada Carpena estavam a bordo do avião que caiu e pegou fogo na Zona Oeste de São Paulo na última sexta-feira (7). O acidente resultou na morte dos dois.
Outras sete pessoas ficaram feridas e receberam atenção policial, sendo que mais três foram encaminhadas a atendimento médico por conta própria.
A aeronave seguia para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e decolou do Aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, por volta das 7h15. Poucos minutos depois, às 7h20, o piloto tentou realizar um pouso forçado, mas o avião caiu e explodiu. As causas do acidente ainda estão sendo investigadas.
Quem eram as vítimas
Márcio Carpena era casado e deixou três filhos. Natural de Porto Alegre, o advogado lecionava na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) desde 2002 e também era professor na Escola da Magistratura (Ajuris). Além da atuação acadêmica, era sócio do escritório Carpena Advogados Associados, especializado em contencioso cível, com abrangência nacional.
Já o piloto Gustavo Carneiro Medeiros nasceu em Indaiatuba, no interior de São Paulo. Formou-se em Ciências Aeronáuticas pela Pontifícia Universidade Católica em 2002 e concluiu a graduação em Administração em 2006. Carneiro trabalhou na Azul Linhas Aéreas por dez anos, de 2011 a 2021, antes de atuar como piloto particular.