O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou nesta sexta-feira, 14, a morte do cineasta Cacá Diegues. O diretor faleceu na madrugada, aos 86 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações durante uma cirurgia.
Em uma publicação nas redes sociais, Lula escreveu: "Recebi com muito pesar a notícia do falecimento de Cacá Diegues, que durante sua vida levou o Brasil e a cultura brasileira para as telas do cinema e conquistou a atenção de todo o mundo. Ganga Zumba, Xica da Silva, Bye, bye Brasil, e, mais recentemente, 'Deus é Brasileiro' mostram muito bem nossa história, nosso jeito de ser, nossa criatividade. E representam a luta de nosso cinema, que sempre se reergueu quando tentaram derrubá-lo. Meus sentimentos aos familiares, colegas e fãs do grande Cacá Diegues".
Recebi com muito pesar a notícia do falecimento de Cacá Diegues, que durante sua vida levou o Brasil e a cultura brasileira para as telas do cinema e conquistou a atenção de todo o mundo. Ganga Zumba, Xica da Silva, Bye, bye Brasil, e, mais, recentemente, “Deus é Brasileiro”…
Paulo Dantas (MDB), governador do Alagoas, exaltou o diretor afirmando que ele "traduziu o brasileiro com sensibilidade em suas obras".
"O cinema mundial está de luto. Perdemos o genial Cacá Diegues. Cineasta alagoano e imortal na Academia Brasileira de Letras, ele traduziu o brasileiro com sensibilidade em suas obras. Que seu legado continue iluminando a sétima arte. Descanse em paz, Cacá", publicou.
O senador Fabiano Contarato (PT) escreveu: "O Brasil perde hoje Cacá Diegues, um dos maiores cineastas do país". Ele ainda acrescentou que "a nossa cultura está de luto". "Meus sentimentos a todos os familiares e amigos."
A deputada federal Talíria Petrone (PSol) escreveu que o cinema e a cultura perderam um "produtor cultural interessado no audiovisual que vinha surgindo nas favelas nas últimas décadas."
Orlando Silva (PCdoB), deputado federal, escreveu: "Genial e sempre inovador, o cineasta foi um dos precursores do Cinema Novo, ao lado de Glauber Rocha. Sua obra dialogou profundamente com o Brasil real e será sempre reverenciada por filmes inesquecíveis, como Xica da Silva e Bye Bye Brasil. Cacá Diegues deixará saudades. Meus sentimentos aos amigos e familiares."
Carlos José Fontes Diegues nasceu em 19 de maio de 1940, em Maceió. Aos seis anos, se mudou para o Rio de Janeiro. Cacá foi um dos fundadores do Cinema Novo, ao lado de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Paulo Cesar Saraceni, Leon Hirszman e outros. Ele exilou-se na Itália e depois na França, após a promulgação do AI-5, em 1969, durante o regime militar.
Entre os filmes de maior destaque do profissional do diretor estão "Xica da Silva" (1976), "Bye Bye Brasil" (1980), "Dias melhores virão" (1989), "Veja esta canção" (1994) e "Tieta do Agreste" (1995), "Orfeu" (1998), "Deus é Brasileiro" (2003) e "O Grande Circo Místico" (2018).
A maioria dos longas que realizou foi selecionada por grandes festivais internacionais, como Cannes, Veneza, Berlim, Nova York e Toronto, e exibida comercialmente na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina, o que o torna um dos realizadores brasileiros mais conhecidos no mundo.
Diegues ganhou vários prêmios, incluindo os de Melhor Filme nos Festivais de Montreal e Paris, Mar Del Plata e Havana, para "O Maior Amor do Mundo", lançado em 2006. Foi casado com a cantora Nara Leão, da qual se separou em 1977, 12 anos antes de ela falecer. Com Nara, teve dois filhos: Isabel e Francisco. Desde 1981, era casado com a produtora de cinema Renata Almeida Magalhães, com quem teve a filha Flora, que morreu aos 34 anos, em 2019, vítima de um câncer no cérebro.
Em 2016, foi enredo da escola de samba Inocentes de Belford Roxo, desenvolvido pelo carnavalesco Márcio Puluker. Ele chegou a participar do desfile no último carro. Em 2018, Cacá se tornou imortal da Academia Brasileira de Letras. Ele ocupava a Cadeira 7, na sucessão do Acadêmico Nelson Pereira dos Santos.
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