Cineasta Caca Diegues morre aos 84 anos no RioReprodução do Instagram / ABL

Rio - O cineasta Cacá Diegues morreu aos 84 anos, na madrugada desta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro, devido a complicações cardio-circulatórias. A informação foi confirmada pela Clínica São Vicente, ao DIA. 
"A Clínica São Vicente lamenta a morte do paciente Carlos José Fontes Diegues, mais conhecido como Cacá Diegues, devido a complicações cardio-circulatórias na madrugada desta sexta-feira (14) e se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda", diz o comunicado.
Nas redes sociais, a Academia Brasileira de Letras lamentou a morte do diretor e expressou solidariedade aos familiares dele. "Sua obra equilibrou popularidade e profundidade artística ao abordar temas sociais e culturais com sensibilidade. Durante a ditadura militar, viveu no exílio, mas se manteve sempre ativo no debate sobre política, cultura e cinema. A ABL expressa sua solidariedade à esposa, Renata Almeida Magalhães, e aos filhos", diz um trecho da publicação. 
O velório do cineasta acontecerá na ABL, no Centro do Rio, neste sábado (15), a partir das 9h. A cerimônia de despedida será aberta ao público. Em seguida, o corpo do diretor será cremado no Cemitério do Caju, na Zona Portuária. 
Carlos José Fontes Diegues nasceu em 19 de maio de 1940, em Maceió. Aos seis anos, se mudou para o Rio de Janeiro. Cacá foi um dos fundadores do Cinema Novo, ao lado de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Paulo Cesar Saraceni, Leon Hirszman e outros. Ele exilou-se na Itália e depois na França, após a promulgação do AI-5, em 1969, durante o regime militar. 
O primeiro longa da carreira de Diegues foi "Ganga Zumba" (1963), protagonizado por Antonio Pitanga e Léa Garcia, considerado o primeiro filme brasileiro com estelado por negros. A lista de produções também inclui "A Grande cidade" (1966), "Os Herdeiros" (1969) e "Quando o Carnaval Chegar" (1972).
Entre as produções de maior destaque do diretor estão "Xica da Silva" (1976), "Bye Bye Brasil" (1980),  "Dias melhores virão" (1989), "Veja esta canção" (1994) e "Tieta do Agreste" (1995), "Orfeu" (1998), "Deus é Brasileiro" (2003) e "O Grande Circo Místico" (2018). 
A maioria dos longas que realizou foi selecionada por grandes festivais internacionais, como Cannes, Veneza, Berlim, Nova York e Toronto, e exibida comercialmente na Europa, nos Estados Unidos e na América Latina, o que o torna um dos realizadores brasileiros mais conhecidos no mundo.
Cacá ganhou vários prêmios, incluindo os de Melhor Filme nos Festivais de Montreal e Paris, Mar Del Plata e Havana, para "O Maior Amor do Mundo", lançado em 2006. Foi casado com a cantora Nara Leão, da qual se separou em 1977, 12 anos antes de ela falecer. Com Nara, teve dois filhos: Isabel e Francisco. Desde 1981, era casado com a produtora de cinema Renata Almeida Magalhães, com quem teve a filha Flora, que morreu aos 34 anos, em 2019, vítima de um câncer no cérebro.
Em 2016, foi enredo da escola de samba Inocentes de Belford Roxo, desenvolvido pelo carnavalesco Márcio Puluker. Ele chegou a participar do desfile no último carro. Em 2018, Cacá se tornou imortal da Academia Brasileira de Letras. Ele ocupava a Cadeira 7, na sucessão do Acadêmico Nelson Pereira dos Santos. 
Em 2024, Diegues precisou se afastar de suas atividades na instituição por mais de quatro meses devido a um problema de saúde. "Na verdade não sei, tive uma espécie de problema no coração, aí fui para o hospital porque comecei a passar mal. Tive que ficar lá para corrigir isso. Comecei a ter quase uns desmaios, vontade de desmaiar, mas não desmaiava. Fiquei preocupado com isso", afirmou ele, em entrevista à "Veja" na época. No mesmo ano, ele foi um dos homenageados do Grande Prêmio Otelo.