De acordo com a pesquisa, 38% desistiram de uma consulta com especialista no SUS e recorreram ao setor privadoMarcello Casal Jr/Agência Brasil
Classe C afirma que fila do SUS coloca a vida em risco, aponta pesquisa
Pesquisa mostra que tempo de espera por consultas e exames leva parcela da população a biscar alternativas no setor privado
O Instituto Locomotiva divulgou a pesquisa “A Classe C e a Saúde: os Desafios de Acesso a Exames e Consultas”, com um retrato aprofundado sobre as dificuldades enfrentadas por esse segmento para conseguir atendimento medico. O levantamento evidencia que a demora na marcação de consultas e exames, além de gerar frustração, pode agravar problemas de saúde e comprometer tratamentos.
“A defesa do SUS, ainda mais depois da pandemia, e quase uma necessidade civilizatória”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. De acordo com ele, “os dados podem servir como insumo para gestores públicos buscarem soluções para resolver o dilema das filas para consultas e exames”.
Ainda segundo ele, “a pesquisa mostra que essa demora, muitas vezes, faz com que o diagnóstico atrase e doenças que poderiam ser facilmente tratadas acabam se agravando. A imensa maioria dos entrevistados, 94% deles, acredita que reduzir o tempo de espera para consultas e exames deveria ser uma prioridade dos governantes”.
O levantamento também aponta que a população vê benefícios na integração entre os sistemas público e privado, com 95% dos entrevistados apoiando medidas que facilitem o compartilhamento de informações entre os dois setores.
Principais conclusões
O estudo revela que a Classe C lida com barreiras significativas no acesso a saúde e, diante da demora no SUS, muitos buscam alternativas no setor privado. Os dados levantados pela pesquisa mostram que:
- 94% dos brasileiros da Classe C consideram que o tempo de espera no SUS coloca em risco a vida de muitos brasileiros.
- 63% enfrentaram pessoalmente ou conhecem alguém que teve um problema de saúde agravado pela demora no atendimento.
- 38% desistiram de uma consulta com especialista no SUS e recorreram ao setor privado.
- 32% desistiram de uma consulta com médico generalista no SUS e buscaram atendimento particular.
- 92% são favoráveis a oferta de um produto de saúde mais barato com cobertura exclusiva para consultas e exames.
- 96% acreditam que essa alternativa pode melhorar o acesso ao atendimento médico.
- 91% avaliam que essa solução pode contribuir para reduzir as filas para consultas e exames no SUS.
Metodologia da pesquisa
O estudo foi realizado entre os dias 19 e 21 de novembro de 2024, com 1,5 mil entrevistas distribuídas em todas as regiões do Brasil e aplicadas via autopreenchimento digital. A amostra foi ponderada por gênero, faixa etária, classe social e escolaridade, seguindo os parâmetros da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad) do IBGE. A margem de erro estimada e de 2,6 pontos percentuais.
“A Classe C e objeto constante dos nossos estudos há mais de duas décadas”, diz Meirelles. “Essa nova pesquisa é uma iniciativa da própria Locomotiva, como parte de um estudo maior que estamos realizando sobre os 20 anos da classe C no Brasil. A ideia e que se some as outras pesquisas que embasarão um livro sobre tema”.
Com ampla experiência na análise de comportamento e tendências sociais, o Instituto Locomotiva reforça que essa pesquisa qualifica o debate sobre o acesso a saúde no Brasil, trazendo dados concretos sobre os desafios enfrentados pela Classe C. O estudo tambem se insere no contexto das discussoes sobre novas alternativas reguladas para a saúde suplementar, a exemplo da proposta de um novo produto com cobertura para consultas e exames, que está sendo avaliada por meio de consulta pública pela ANS.
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