Gleisi justificou as alianças que o governo Lula 3 fez com partidos de centro e de direitaReprodução / TV Globo
Gleisi concedeu entrevista ao programa Conversa com Bial, da TV Globo, divulgada na madrugada desta quinta-feira, 29.
A ministra disse que o PT e a esquerda "têm quadros políticos", mas não "com pegada popular, com condições de fazer o embate e condições de ganhar" do bolsonarismo.
"Na esquerda, para fazer disputa e ganhar da extrema-direita, não vejo outra pessoa que não seja o Lula. Obviamente que numa idade mais avançada tem mais dificuldades", reconheceu Gleisi.
A ministra defendeu que o presidente da República é o único de seu campo que faz frente ao ex-presidente Jair Bolsonaro e quem quer seja candidato no campo da direita. "O Lula está bem, mas ele também tem consciência de que não estiver bem de saúde, não dá para ir. É ele que vamos ter para disputar a eleição de 2026", defendeu. "Eu fico com medo de esse pessoal (bolsonarista) ganhar. Então, infelizmente, Lula terá de ser candidato", argumentou.
Gleisi justificou as alianças que o governo Lula 3 fez com partidos de centro e de direita, como o União Brasil, MDB, PSD, PP e Republicanos. Disse que o objetivo foi isolar o que ela chama de "extrema-direita" e conseguir apoios na direita.
"A gente teve que fazer composição para governar e trouxe a direita para dentro do governo. Isolou a extrema-direita, o bolsonarismo. E trouxe uma parte da direita. Você traz o União Brasil, vem metade da bancada. Traz o PP e vem uma parte da bancada. E obviamente isso faz com que medie as posições, mas não deixamos de fazer programas importantes", afirmou.
A ministra disse que, "como a medida não estava aberta, e o Haddad é sempre muito cioso disso, todo mundo (do governo) aceitou e foi".
"A gente tinha que fazer avaliação do Orçamento. Tem uma junta financeira do governo. Fizemos uma reunião com a junta financeira e depois com o presidente. O ministro Haddad explicou as medidas e falou do IOF. Mas ele não abriu com detalhes onde ia mexer. Ele disse que a mudança era pequena, e era mesmo, de 2,39% para 3,5%", relatou Gleisi ao ser questionada por Pedro Bial. "Na questão dos fundos de investimento (aplicação desses fundos no exterior), que eram isentos, ficou valendo 3,5%. Como a medida não estava aberta, e o Haddad é sempre muito cioso disso, todo mundo aceitou e foi", declarou.
A ministra negou que tenha havido uma "reunião de emergência" do governo na noite da última quinta-feira, 22, para discutir o assunto. Afirmou que ela e os ministros da Casa Civil, Rui Costa, e da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, estavam reunidos para falar sobre inteligência artificial.
"A gente estava na Casa Civil em uma reunião sobre inteligência artificial. Quando cheguei esse negócio já estava (dando problema). O pessoal da assessoria dizendo que estava dando problema. Gente do mercado ligando, imprensa ligando. Aí sentamos e conversamos. A avaliação foi essa de que teve um erro O impacto é muito grande e é pior ficar do que recuar. Quando erra, paciência, recua, não tem problema", declarou Gleisi.
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