Thiago Ávila chegou na manhã desta sexta-feira Paulo Pinto/Agência Brasil
Ávila desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e foi recebido por um grupo de militantes pró-Palestina, portando cartazes com mensagens de apoio ao país e bandeiras.
Cercado por apoiadores da causa, Ávila explicou que vestia ainda o uniforme que lhe deram ao ser encaminhado a uma cela solitária onde ficou por dois dias. Ele classificou como "extremamente solícita" a representação diplomática, que o auxiliou no momento da detenção.
Aos jornalistas, ressaltou que sua cela ficava em uma masmorra que aparentava ser muito antiga, mas que ele sabia que tinha apenas cerca de 80 anos e que a investida contra os tripulantes não foi mais intensa por causa da presença da eurodeputada Rima Hassan.
Agressões
Ávila observou que Israel tentou fazer uma "manobra publicitária" para vender a impressão de que os ativistas estavam sendo bem recepcionados, ao mesmo tempo em que, na realidade, foram forçados a assinar documentos dizendo que tinham entrado na região de modo ilegal.
Ele esclareceu que não assinou nenhum documento e que as autoridades determinaram o banimento dele no país por um século.
Ávila acredita que o governo brasileiro deveria romper relações com Israel e entende que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia, inclusive, interpretar o cenário posto como uma oportunidade de sair ainda maior com esse gesto. Para Ávila, é urgente que o Brasil se desligue dessa "ideologia odiosa".
"Tudo que eles têm são suas armas, seu ódio, seu exército", declarou ele, que se reuniu com sua esposa e sua filha de sete meses.
Em relação à cobertura midiática do conflito, Ávila disse que estar ciente de que, muitas vezes, os repórteres pretendem contar a verdade, mas esbarram em posições contrárias de seus superiores nas redações. "Nem sempre as estruturas permitem [isso] aos trabalhadores", observou.
Ávila argumentou que é preciso separar antissemitismo de antissionismo e lembrar que há judeus em todo o mundo apoiando os palestinos e se opondo ao massacre promovido por Israel. Os povos já conviveram em harmonia, observou. "O imperialismo britânico e o sionismo destruíram esse sonho de viver em paz", observou.
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