Equipes de emergência se reúnem em frente a um prédio atingido por um ataque israelense em TeerãAFP

O governo brasileiro condenou os ataques promovidos por Israel contra o Irã desde a madrugada desta sexta-feira, 13, (noite de quinta-feira, 12, no Brasil) e disse que a ofensiva constitui "clara violação à soberania" do Irã e "ao direito internacional".

"O governo brasileiro expressa firme condenação e acompanha com forte preocupação a ofensiva aérea israelense lançada na última madrugada contra o Irã, em clara violação à soberania desse país e ao direito internacional", afirmou o Ministério das Relações Exteriores em nota.

O Itamaraty disse ainda que os ataques promovidos por Israel "ameaçam mergulhar toda a região em conflito de ampla dimensão, com elevado risco para a paz, a segurança e a economia mundial".

"O Brasil insta todas as partes envolvidas ao exercício da máxima contenção e exorta ao fim imediato das hostilidades", completou.
Declaração de guerra
O Irã afirmou que os ataques de Israel contra suas instalações militares e nucleares são uma "declaração de guerra" e pediu medidas ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em uma carta dirigida às Nações Unidas, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, qualificou o ataque como uma "declaração de guerra" e "pediu ao Conselho de Segurança que aborde o tema de maneira imediata", informou a pasta.
Mortes no ataque
O Irã confirmou que o chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, morreu nos ataques de Israel contra o Irã. Ele era uma das figuras mais poderosas do setor militar iraniano. O falecimento dele pode representar uma escalada no conflito.
"Se cometerem o menor erro, abriremos as portas do inferno para vocês", advertiu no mês passado, ao comentar a possibilidade de um ataque de Israel ou dos Estados Unidos.

Nascido em 1960, Hossein Salami aparecia com frequência na televisão com discursos exaltados, repetindo a narrativa que os líderes iranianos apresentam regularmente contra Israel.
Além de Salami, a imprensa iraniana noticiou ainda a morte do Major-general Mohammad Bagheri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e o segundo mais alto oficial militar do país. O general Gholamali Rashid, vice-comandante das Forças Armadas, também foi morto.
Ao menos seis cientistas nucleares também morreram nos ataques, informou a imprensa iraniana.

"Abdolhamid Minouchehr, Ahmadreza Zolfaghari, Amirhossein Feqhi, Motalleblizadeh, Mohammad Mehdi Tehranchi e Fereydoun Abbasi foram os cientistas nucleares martirizados no ataque de Israel", anunciou a agência de notícias Tasnim.

Mohammad Mehdi Tehranchi era o presidente da Universidade Islâmica Azad do Irã e Fereydoun Abbasi foi diretor da Organização de Energia Atômica do país.

Os ataques atingiram múltiplos alvos no Irã, incluindo edifícios residenciais em Teerã, além de uma instalação crucial de enriquecimento nuclear no centro do país.
Pelo menos 95 pessoas ficaram feridas, indicou um funcionário da televisão estatal iraniana.

“Por enquanto, 95 pessoas ficaram feridas e foram levadas aos centros médicos em 12 províncias atacadas”, declarou à televisão o porta-voz dos serviços de emergência a nível nacional, Mojtaba Jaledi.
*Com informações do Estadão Conteúdo e AFP