A notícia de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mais sete réus do núcleo 1 da trama golpista repercutiu também na mídia internacional nesta terça-feira (15).
Segundo Paulo Gonet, Bolsonaro figura como líder da organização criminosa e foi o "principal articulador e maior beneficiário" das ações para tentar implantar um golpe de Estado no país em 2022.
Nas palavras do procurador, o ex-chefe do Executivo instrumentalizou o aparato estatal e operou em "esquema persistente" de ataque às instituições públicas e ao processo sucessório após o resultado das eleições presidenciais.
Para a BBC Brasil, Gonet "ignorou" as críticas públicas feitas pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump à Justiça brasileira e reafirmou a gravidade das acusações.
O jornal espanhol El País destacou que "Bolsonaro sabe que terá muita dificuldade em evitar uma condenação, o que o afastaria definitivamente da cena política".
O período ainda relembrou que o ex-presidente foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em junho de 2023 pela prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Com a decisão, Bolsonaro ficou inelegível até 2030. Assim, o ex-chefe do executivo só poderá se candidatar nas eleições de 2030.
No documento, que tem 517 páginas, o procurador-geral, Paulo Gonet, defende que Bolsonaro e os demais réus sejam condenados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
As penas máximas para os crimes passam de 30 anos de prisão. Além de Bolsonaro, a PGR pediu a condenação dos seguintes réus:
- Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e vice de Bolsonaro na chapa das eleições de 2022; - General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; - Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência - Abin; - Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal; - Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; - Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa; - Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Em caso de condenação, Cid deverá ter a pena suspensa devido ao acordo de delação premiada assinado com a Policia Federal (PF) durante as investigações.
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