Jair BolsonaroDivulgação

Brasília - O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completou nesta terça-feira (5) as primeiras 24 horas sob prisão domiciliar e demais restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada na segunda-feira (4), no âmbito do processo em que o ex-chefe do Executivo é acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado.

Na residência da família Bolsonaro, em Brasília, não houve presença de policiamento ostensivo. A movimentação do ex-presidente é controlada por tornozeleira eletrônica, e suas redes sociais estão sob monitoramento da Polícia Federal. As restrições não atingem a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a filha do casal ou os empregados da casa, que têm acesso livre à residência, uso de celulares e redes sociais.

Durante a tarde, Bolsonaro recebeu a visita do senador Ciro Nogueira (Progressistas). "Fui autorizado pelo relator, ministro Alexandre, a visitá-lo, seguindo todas as normas, como a imprensa acabou de ver", disse Nogueira ao deixar o local.
Outros pedidos de visita foram encaminhados ao STF pelos deputados Marcelo Moraes, Sóstenes Cavalcante, Eros Ferreira Biondini, Luciano Zucco e Junio Amaral, todos do PL, além do empresário Renato de Araújo Corrêa, amigo pessoal do ex-presidente.

Conforme a determinação de Moraes, apenas advogados e pessoas autorizadas pela Corte podem visitar Bolsonaro, sem o uso de celulares, fotos ou gravações. O ex-presidente está proibido de usar qualquer aparelho de telefonia, inclusive de terceiros, e de manter contato com embaixadores ou autoridades estrangeiras, além de seguir vetado o uso de redes sociais próprias ou de outras pessoas.

A defesa de Bolsonaro afirmou que pretende recorrer da decisão que determinou a prisão domiciliar, mas ainda não informou a data em que apresentará o pedido.

Réu no STF desde março, Bolsonaro responde por cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. O processo está na fase das alegações finais da defesa e deve ser levado a julgamento em setembro.