O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), pediu desculpas ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após dois dias de motim que impediam o avanço de votações na Casa. Ele também negou um acordo com ele para colocar o projeto da anistia geral e irrestrita aos condenados por tentativa de golpe de Estado no julgamento da trama golpista, assim como o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O parlamentar reconheceu que pode não ter sido correto com o paraibano durante as negociações feitas no dia anterior para que a oposição desocupasse a Mesa Diretora. Eles estavam no plenário desde o dia anterior, inviabilizando os trabalhos da Câmara, em protesto contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL).
"Ontem, com o acirrar dos ânimos, eu, com Vossa Excelência, não fui correto, e te peço perdão da tribuna da Câmara. Não fui correto no privado, mas faço questão de pedir perdão em público. Nós não estávamos emocionalmente estruturados para aquilo", afirmou Cavalcante em discurso na quinta-feira (7).
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Líder do PL nega acordo sobre anistia e pede desculpas ao presidente da Câmara após ocupação
Deputados e senadores se revezaram de terça-feira (5) a quarta-feira (6) para obstruir os trabalhos do Congresso Nacional. Hugo Motta só conseguiu recuperar a Mesa Diretora na noite de quarta.
Em discurso, o parlamentar criticou a ação dos deputados, disse que as manifestações têm que obedecer o regimento da Casa e afirmou que a democracia "não pode ser negociada".
"O que aconteceu entre o dia de ontem e hoje com a obstrução dos trabalhos não faz bem a esta casa. A oposição tem todo o direito de se manifestar, de expressar sua vontade. Mas tudo isso tem que ser feito obedecendo o nosso regimento e a nossa Constituição. Não vamos permitir que atos como esse possam ser maiores que o Plenário e do que a vontade dessa Casa", afirmou.
Mota também disse que os parlamentares não podem priorizar interesses pessoais ou eleitorais.
"Nesta casa mora a solução das construções para o nosso país, que tem que estar sempre em primeiro lugar, e não deixarmos que projetos individuais, pessoais ou até eleitorais possam estar à frente daquilo que é maior que todos nós, que é nosso povo que tanto precisa das nossas decisões", continuou.
O presidente da Câmara pediu diálogo e respeito, mas garantiu firmeza na presidência da Casa: "Sempre lutarei pelas nossas prerrogativas e pelo livre exercício do mandato. E o exercício do mandato se dá no respeito àquilo que para nós é inegociável, que é o direito de cada um exercer o direito à fala, a se posicionar, e de quem preside a casa de presidir os trabalhos".
Motta também negou que a desocupação tenha sido negociada em troca do compromisso dele de pautar o projeto de lei que prevê anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
"A presidência da Câmara é inegociável. Quero que isso fique bem claro. As matérias [jornalísticas] que estão saindo sobre a negociação feita por esta presidência para que os trabalhos fossem retomados não está vinculada a nenhuma pauta. O presidente da Câmara não negocia suas prerrogativas, nem com a oposição, nem com o governo, nem com absolutamente ninguém", concluiu.
Em nota, Sóstenes disse que o presidente Hugo não assumiu compromisso de pauta com a oposição. "O compromisso é com os líderes partidários e, nós, que representamos a maioria desta Casa, vamos, sim, pautar o fim do foro privilegiado e a anistia", afirmou.
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