Silvanei VasquesMarcelo Camargo/Agência Brasil
Em um dos episódios destacados, durante cerimônia oficial, ele entregou ao então ministro da Justiça, Anderson Torres, uma camisa do Flamengo com o número 22 — mesmo número de Bolsonaro nas urnas. Na ocasião, negou relação com a campanha e disse que poderia se referir ao ano 2022 ou ao jogador Rodinei.
Além da multa, equivalente a 24 vezes o salário que recebia no cargo, Vasques está proibido por quatro anos de firmar contratos com o Poder Público ou receber benefícios fiscais e creditícios.
Para o TRF2, os atos caracterizam desvio de publicidade institucional para fins eleitorais, violando princípios como legalidade, impessoalidade e moralidade. O MPF argumentou que, mesmo em postagens feitas em redes pessoais, houve “confusão intencional” entre manifestações de um cidadão e de uma autoridade pública, ferindo o dever de neutralidade.
O acórdão ainda aponta que as ações foram deliberadas, com objetivo político-partidário e possível interesse pessoal, como a permanência no cargo.
O procurador da República Eduardo Benones, coordenador do Controle Externo da Atividade Policial do MPF no Rio de Janeiro, classificou a decisão como um marco: "A decisão do TRF2 é importante, entre outros aspectos, porque reforça a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (Mérida), da qual o Brasil é signatário. Ela também sinaliza que todas as instituições do Estado, inclusive as policiais e seus dirigentes, devem estar comprometidas exclusivamente com o interesse público e com a consolidação do processo democrático."

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