Marcelo Nalesso Salmaso foi o juiz que concedeu liberdade provisória ao suspeito detido com 200 kg de cocaínaReprodução/Tribunal de Justiça de São Paulo

São Paulo - O juiz Marcelo Nalesso Salmaso, que concedeu liberdade provisória a um homem preso com mais de 200 quilos de pasta-base de cocaína em Itu, no interior de São Paulo, corrigiu sua decisão na segunda-feira (25), mas decidiu manter o suspeito afastado da prisão.

Na semana passada, Thiago Zumiotti da Silva foi detido na Rodovia Castello Branco transportando drogas em seu carro, na região de Sorocaba, interior de São Paulo. O homem tentou escapar do cerco policial, mas foi detido e preso em Itu. A reportagem busca contato com a defesa.

O secretário da Segurança Pública do Estado, Guilherme Derrite, afirmou que eram 200 quilos de pasta-base de cocaína e 90 quilos de crack.

Em audiência de custódia realizada na quinta-feira (21), Salmaso constatou indícios de crime, mas em sua decisão escreveu que a quantidade de drogas apreendida não foi "exacerbada" e era "pequena". Afirmou, ainda, que o suspeito não tinha antecedentes criminais e não apresentava periculosidade.

"A prisão processual é medida de caráter excepcional, possível apenas nos casos em que justificada a sua imprescindibilidade. Embora seja clara a situação de traficância, a quantidade de droga apreendida não foi exacerbada", escreveu o magistrado.

O juiz, em sua decisão, entendeu ser mais oportuno dar a Thiago Zumiotti a chance de responder "ao processo em liberdade, para que continue se dedicando ao trabalho lícito, ao invés de enveredar-se pelo tortuoso caminho do crime".

A decisão da audiência de custódia gerou críticas do secretário Guilherme Derrite, que protestou contra o magistrado nas redes sociais: "Decisão absurda que liberou um traficante com mais de 200 kg de pasta-base de cocaína por considerar uma 'pequena quantidade'. Isso é desrespeito com o trabalho policial e, principalmente, com a população", escreveu na última segunda-feira (25).
Retificação

No mesmo dia, Salmaso publicou uma retificação de sua decisão. O juiz afirmou que, por conta de um equívoco, para o texto do dia 21 de agosto foi usado um modelo de redação padronizado, aplicado em situações de liberdade provisória em casos de tráfico de entorpecentes.

"A decisão lançada no termo da audiência de custódia destes autos, realizada no dia 21 de agosto de 2025 (fls. 49/51), por um equívoco, é a íntegra de um texto-modelo utilizado para concessão de liberdade provisória em situações de tráfico ilícito de entorpecentes, mas que não guarda correspondência exata com o caso concreto em tela", escreveu o magistrado.

Salmaso afirma ainda que, por esse motivo, sua decisão escrita não corresponde à decisão verbal proferida na audiência. Contudo, a retificação não significou revisão na prisão de Thiago Zumiotti, que continuará respondendo ao processo em liberdade.