De acordo com Andrei Rodrigues, essa não é uma estatística comum nas operações da PF.
"Agora, eu repito, há 14 mandados. Só 6 encontrados, não é uma estatística normal das operações da Polícia Federal e, portanto, com o retorno das equipes, que igual as equipes vão às residências, enfim. Aí preciso relatar o que foi encontrado lá, o que não foi, e aí sim a gente vai poder ter mais elementos para dizer ou inferir que possa ter havido vazamento. Nessa hipótese nós vamos fazer a investigação para apurar se houve", afirmou.
Sobre a operação, ressaltou que trata-se de um "esquema de lavagem de dinheiro" e não uma lavagem de dinheiro de determinado grupo ou a uma facção criminosa específica.
"É um esquema de lavagem de dinheiro, não é uma lavagem de dinheiro de determinado grupo, de determinada facção criminosa. É um esquema de lavagem de dinheiro que infelizmente pode ser utilizado, entre aspas aqui, para quem quisesse utilizar como sonegador, traficante, enfim, toda a sorte de criminoso que quisesse utilizar esse fundo", disse Andrei.
A investigação segue em andamento. Durante a entrevista no Ministério da Justiça, Andrei anunciou que uma pessoa havia sido presa em Santa Catarina.
Entenda a operação
A Polícia Federal e a Receita Federal lançaram, nesta quinta-feira (28), uma megaoperação contra um vasto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o crime organizado e o setor financeiro, informam fontes oficiais.
O objetivo da operação é desmontar uma gigantesca rede de fraude e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, que usava fintechs e cerca de 40 fundos de investimentos para ocultar ativos, segundo um comunicado da Receita.
O grupo tinha criado um esquema que incluía toda a cadeia de combustíveis, "desde a importação, produção, distribuição e comercialização ao consumidor final" e "os elos finais de ocultação e blindagem do patrimônio, via fintechs e fundos de investimentos".
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o alvo da operação é o Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior organização criminosa do país.
O esquema teria movimentado R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024 em mais de 1.000 postos de gasolina em todo o Brasil.
Segundo a Receita Federal, trata-se da "maior operação contra o crime organizado da história do País em termos de cooperação institucional e amplitude".
A Polícia divulgou imagens que mostram forte mobilização de agentes e patrulhas na avenida Faria Lima, no centro de São Paulo, coração financeiro do país.
As forças de segurança cumprem 350 mandados de busca e apreensão, entre pessoas físicas e jurídicas, em oito estados da federação, inclusive São Paulo e Rio de Janeiro.
"As investigações apontam que o sofisticado esquema engendrado pela organização criminosa, ao mesmo tempo que lavava o dinheiro proveniente do crime, obtinha elevados lucros na cadeia produtiva de combustíveis", informou a Receita.
Segundo a fonte, a participação de centenas de empresas operadoras do esquema permitiu ocultar o produto do crime.
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