Deputado federal, Eduardo BolsonaroMandel Ngan/AFP
Em busca no site do NYT, o resultado mais recente envolvendo Eduardo Bolsonaro é uma matéria de 20 de agosto. Ela abordava o plano de Bolsonaro de pedir asilo à Argentina, revelado pela Polícia Federal naquela semana, quando o ex-presidente e o filho foram indiciados em investigação por suposta coação no curso do processo.
Antes disso, o resultado disponível é de 5 de agosto, de reportagem sobre a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e também cita que Eduardo “passou meses fazendo lobby na Casa Branca para ajudar o pai”. A última matéria que aparece na busca do NYT e fala especificamente sobre Eduardo Bolsonaro é de 18 de março. A notícia afirma que o deputado brasileiro iria pedir asilo político aos Estados Unidos e denunciar suposta perseguição ao pai no Brasil. Pesquisas por reportagens sobre a investigação de Trump contra o parlamentar em outros portais do Brasil e dos Estados Unidos também não retornaram resultados.
As publicações começaram a circular dias depois da divulgação do relatório da Polícia Federal que indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro. No documento, agentes da PF afirmam que o filho do ex-presidente teria atuado para tentar “ludibriar” o governo Trump “para atingir seus objetivos criminosos”. Em uma das mensagens divulgadas, Eduardo enviou ao celular do pai uma imagem que não pôde ser recuperada pelos investigadores, seguida da frase: “torce para a inteligência americana não levar isso aqui ao conhecimento do Trump”.
Os vídeos que sugerem a investigação de Trump contra Eduardo Bolsonaro afirmam ainda que a apuração poderia resultar em pedidos de revogação do visto do deputado brasileiro e a deportação de Eduardo e Paulo Figueiredo para o Brasil. Também não há atualmente qualquer indício de que essas medidas estejam em curso.. Eduardo Bolsonaro foi indicado no inquérito que apura suposta coação no curso do processo envolvendo o pai, mas não é alvo de pedido de prisão ou deportação.
Os vídeos verificados pelo Comprova utilizam narração e elementos de inteligência artificial. De acordo com o Hive Moderation, ferramenta de reconhecimento de IA, possuem 99,9% de chance de terem sido gerados por IA. Vale lembrar que ferramentas de IA podem falhar na detecção de conteúdos, por isso devem ser usadas como apoio à análise humana.
Um dos vídeos, divulgado no TikTok, traz ainda como elementos de uso de IA imagens de Trump com semblante furioso e um carimbo na mão em frente a um homem com feições semelhantes a Eduardo Bolsonaro e aspecto assustado, de posse de um passaporte. A imagem é exibida em uma montagem em uma suposta capa do The New York Times.
O Comprova fez contato com os perfis que divulgaram os dois vídeos investigados por meio de mensagens no TikTok, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.
Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova
As postagens reúnem tanto vídeos com tons favoráveis ao presidente Lula e ao PT, como o vídeo que sugere investigação e até suposta deportação de Eduardo Bolsonaro, quanto publicações em linha com o bolsonarismo, com críticas de Trump a decisões do ministro Alexandre de Moraes.
O canal tinha 16 mil inscritos até a publicação desta matéria. Já o outro vídeo investigado tem informações semelhantes e foi divulgado na plataforma TikTok. A conta que o divulgou se apresenta como “Canal de apoio ao Lula em 2026”. A página tinha 71 mil seguidores até a publicação deste conteúdo.
Por que as pessoas podem ter acreditado
Um dos vídeos também faz referência a termos como “explosão na América”, “investigação bombástica” e que “a verdade tem que explodir agora”, apelando ao exagero e a um suposto senso de urgência para que os usuários compartilhem o vídeo sem confirmar as informações.
Fontes que consultamos: Site do The New York Times, ferramenta Hive Moderation, de detecção de IA, e donos dos perfis que publicaram os vídeos investigados.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Outras checagens sobre o tema: Os vídeos que sugerem investigação de Trump contra Eduardo Bolsonaro também foram alvo de verificações que desmentiram o fato feitas pelo Estadão Verifica, pela agência Aos Fatos e pelo UOL Confere. O Comprova também já mostrou que Trump não ameaçou enviar tropas contra Alexandre de Moraes e que não há indícios de que o presidente norte-americano tenha tarifado o Brasil por compra de diesel russo.
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