Ministro Alexandre de MoraesAFP
Nesse contexto, o ministro destacou o alinhamento entre a live realizada em julho de 2021 pelo ex-presidente, as anotações da caderneta do general Augusto Heleno e os documentos produzidos por Ramagem com vistas ao ataque ao sistema eletrônico de votação. "Convergência total desses documentos", destacou, lembrando como a transmissão feita pelo ex-presidente criou clima de antagonismo em relação ao Judiciário e uma série de ameaças.
O ministro citou como documentos apreendidos com Ramagem afirmavam que havia certeza de fraude e vulnerabilidade nas urnas. Destacou como os documentos coincidem com discurso de Bolsonaro contra urnas na live de setembro de 2021 e apontou que os discursos posteriormente usados para insuflar os apoiadores contra o STF já estavam presente na live em questão.
Ao tratar da live, o ministro ainda lembrou uma intervenção feita pela ministra Carmen Lúcia em sessão anterior do julgamento frisando que a "organização criminosa confunde por má-fé o que é voto auditável e o que é voto impresso".
"Isso não é conversa de bar, não é conversa com um amigo no clube. Isso é o presidente da República no 7 de Setembro, data da Independência do Brasil, instigando pessoas contra o STF", concluiu o ministro.
Ainda de acordo com Moraes, os documentos de Ramagem coincidem com anotações de Heleno inclusive visando a emissão de um parecer para que Bolsonaro não precisasse cumprir ordens do Supremo, ordens judiciais.
Nesse contexto, o ministro lembrou de outras anotações no caderno de Heleno, como a de previsão de prisão em flagrante de autoridade policial que estivesse disposta a cumprir ordem judicial; e a menção, "pela primeira vez", do então comandante da Marinha, Garnier Santos, sem citação dos então chefes do Exército e da Aeronáutica.
3 de setembro – 9h;
9 de setembro – 9h e 14h;
10 de setembro – 9h;
11 de setembro – 9h e 14h;
12 de setembro – 9h e 14h.
- Alexandre Ramagem - ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
- Almir Garnier- ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres - ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno - ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
- Paulo Sérgio Nogueira - ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto - ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022;
- Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
PGR pediu condenação pelos crimes
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito: pena de 4 anos (mínimo) a 8 anos (máximo);
- Tentativa de golpe de Estado: pena de 4 anos (mínima) a 12 anos (máxima);
- Participação em organização criminosa armada: pena de 3 anos (mínima) a 8 anos (máxima) – pode chegar a 17 anos, com as agravantes de uso de arma de fogo e participação de agentes públicos;
- Dano qualificado: pena seis meses (mínima) a 3 anos (máxima); e
- Deterioração de patrimônio tombado: um ano (mínima) a 3 anos (máxima).

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