Lula chegou aos Estados Unidos neste domingoRicardo Stuckert / PR
Os dois presidentes poderão se encontrar pela primeira vez nos corredores da ONU. Como de praxe, cabe ao Brasil fazer o discurso de abertura amanhã no plenário da Assembleia-Geral da ONU. Trump ocupará a tribuna logo em seguida. O governo brasileiro entende que os contrastes entre eles ficarão claros.
Não há pedidos de reunião bilateral, que poderiam ser interpretados como humilhação ao Brasil. Os mais experientes ex-embaixadores brasileiros em Washington classificaram o atual momento como o pior em 200 anos de relações diplomáticas. Ameaças de novas punições ao Brasil em virtude do apoio de Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro tendem a piorar a crise.
Tarifas
O Planalto, no entanto, enxerga no tarifaço de 50% e na pressão por meio de sanções pessoais (com corte de vistos e cerco financeiro da Lei Magnistky) a ministros do governo e do Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente Alexandre de Moraes, uma tentativa de ingerência nas eleições de 2026. De visões antagônicas em questões importantes, dos conflitos geopolíticos à emergência climática, Lula e Trump se chocam em uma série de pontos.
Sanções
Impedido de circular livremente em Nova York, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, desistiu de viajar. Em carta, apontou obscurantismo e prejuízos ao Brasil. Integrantes da delegação brasileira de menor escalão também tiveram a movimentação restrita. O episódio não deve passar batido do discurso de Lula, que deve mencionar as restrições não só à comitiva do Brasil, mas também à delegação palestina. Preparado há dias, a fala deve citar as prioridades da política externa brasileira. No Planalto, a ideia é mandar uma mensagem contundente e responder a Trump, ainda que Lula não deseje mencioná-lo.
A posição de enfrentamento recebeu elogios fora do País, na avaliação do governo, algo que o Planalto não quer deixar escapar. Lula pretende fazer uma defesa enfática da soberania nacional, frente aos ataques de Washington, da democracia e da independência das instituições.
Multilateralismo
O presidente também deve qualificar como "genocídio" a atuação de Israel na Faixa de Gaza e manifestar publicamente o apoio do Brasil ao processo contra o governo israelense na Corte Internacional de Justiça (CIJ), aproveitando a onda favorável aos palestinos patrocinada pelo governo da França.
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