Fernando Haddad, ministro da FazendaLuis Robayo/AFP
No início do vídeo, o criador da publicação afirma que “o Lula te enganou mais uma vez”. Para sustentar o argumento, coloca uma gravação do seu celular, com o suposto áudio, no qual o ministro teria dito que “em ano de eleição, tem muita gente para comprar apoio”, mencionando a Globo e influenciadores digitais.
O Comprova não encontrou registros públicos de que Haddad teria feito essas declarações, o que seria esperado diante da gravidade do assunto. Em nota, o Ministério da Fazenda afirmou que se trata de conteúdo “claramente falso, com manipulação feita por Inteligência Artificial”. “A mesma prática criminosa usada em outras montagens com esse tipo de edição”, aponta o comunicado.
Consultado pelo Comprova, o perito e cientista forense Mauricio de Cunto destacou que o áudio possui fortes indícios de adulteração. “A fala tem baixa expressividade, uma taxa de elocução, um ritmo de fala muito quadradinho, ou seja, a pessoa não pensa para falar, não pensa para respirar”, afirmou.
“Tem esse problema do ritmo, tem o problema semântico, ou seja, o que ele está falando? Ou seja, é lógico ele estar falando isso? É claro que não”, opinou. “O ritmo, a entonação e a prosódia são estranhas, ou seja, é como se ele estivesse lendo um texto que não tem emoção.”
Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova
Além disso, ele também fez outras publicações checadas por portais de verificação de fatos. Em 5 de setembro, o Estadão publicou uma matéria destacando ser falso um áudio que o homem divulgou, em que o apresentador William Bonner teria dito que ajudou a eleger Lula em 2022. Já em 4 de setembro, o mesmo veículo apontou ser falsa outra gravação mostrada pelo homem, na qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes teria ameaçado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), em caso também investigado pelo Uol.
O dono da conta também já foi checado pelo Aos Fatos. Ele exibiu áudios falsos em que os ministros do STF Luís Roberto Barroso e Moraes supostamente lamentam ter sido sancionados pelos Estados Unidos com a Lei Magnitsky.
O Comprova tentou contato com o autor da postagem, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço está aberto para manifestações.
Por que as pessoas podem ter acreditado
A informação em questão também não aparece em nenhum veículo de imprensa profissional e, portanto, tende a não ser verídica.
Fontes que consultamos: Ministério da Fazenda e o perito e cientista forense Mauricio de Cunto; checagens do Estadão, Aos Fatos e Uol
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Outras checagens sobre o tema: O Comprova já realizou outras checagens envolvendo Haddad, como quando postagens tiraram de contexto uma fala dele sobre servidores públicos e inventaram uma declaração de que o ministro teria culpado exclusivamente a gestão anterior por problemas econômicas.
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