Jair BolsonaroFabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Moraes determina reabertura de investigação sobre suposta interferência de Bolsonaro na PF
Pedido da PGR cita necessidade de apurar possíveis conexões entre ações do ex-presidente e tentativas de uso indevido da estrutura do Estado
Rio - O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (16) a reabertura das investigações sobre uma possível interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal durante o período em que ocupou o Palácio do Planalto.
A decisão veio após solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentada na quarta-feira (15). Moraes concedeu um prazo de 15 dias para que o órgão se manifeste formalmente sobre o andamento do caso.
A apuração teve início após o ex-ministro da Justiça e atual senador Sergio Moro (União-PR) acusar Bolsonaro de tentar influenciar o comando da PF. O ex-presidente, por sua vez, reagiu e denunciou Moro por calúnia.
Em uma etapa anterior, a Polícia Federal encerrou o inquérito, afirmando não ter encontrado indícios de crime. Com base nesse parecer, o então procurador-geral Augusto Aras solicitou o arquivamento do processo. Em maio deste ano, Moraes, relator do caso, pediu ao atual procurador-geral, Paulo Gonet, que confirmasse se manteria a posição de seu antecessor.
Desta vez, a PGR argumenta que há necessidade de uma investigação mais ampla. Segundo o órgão, é preciso verificar se houve "interferências ou tentativas de interferência nas investigações mencionadas por Moro, mediante o uso da estrutura do Estado e a obtenção clandestina de dados sensíveis".
O documento encaminhado por Gonet também propõe que a Polícia Federal avalie possíveis conexões entre os fatos relatados por Moro e as apurações sobre uma suposta organização criminosa responsável por ataques a autoridades, ao sistema eleitoral e a instituições públicas, com uso de dados sigilosos, disseminação de notícias falsas e eventual envolvimento de órgãos como a Abin e o GSI.

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