Presidente Lula durante discurso na abertura da COP30AFP
Além disso, diferentemente do que o vídeo verificado afirma, Lula não cancelou compromissos na COP30 para ir à 4ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia, em Santa Marta, na Colômbia, informação também destacada no comunicado da Secom. De acordo com matéria da Band, a agenda do presidente não previa presença na cúpula, mas ela foi alterada uma semana antes do encontro, conforme noticiado pela CBN e pela Folha de Pernambuco. Ele participaria, na programação original, de um evento ambiental em Fernando de Noronha, nos dias 8 e 9 de novembro. No mesmo dia da Celac, Lula retornou a Belém, conforme a agenda presidencial.
O vídeo menciona a viagem de Lula em 9 de novembro, durante a COP30, para participar da Celac. A Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) afirmou, em nota, que a presença do presidente no evento teve como objetivo “reafirmar a prioridade da integração regional na política externa brasileira” e “fortalecer o diálogo na busca por soluções conjuntas globais”.
A pasta também repudiou a “divulgação de boatos falsos, com objetivos políticos, que visam única e exclusivamente desinformar a população, enfraquecer instituições e manipular a opinião pública”.
Dias antes do evento, Mauro Vieira afirmou, em coletiva de imprensa, que Lula iria destacar “apoio” e “solidariedade regional” à Venezuela em seu discurso na Celac, em meio à presença militar dos Estados Unidos nos mares do Caribe nos últimos meses. “O presidente repetidamente já disse, e é a posição da nossa política externa, que a América Latina e, sobretudo, a América do Sul, onde nós estamos, é uma região de paz e cooperação”, afirmou o ministro.
No discurso, Lula não mencionou diretamente o conflito entre a Venezuela e os Estados Unidos, mas disse que “democracias não combatem o crime violando o direito internacional”. “A ameaça de uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina e do Caribe. Velhas manobras retóricas são recicladas para justificar intervenções ilegais”, ressaltou.
Já Maduro não participou da cúpula, mas mandou uma carta aos presidentes da região, pedindo que os países instalem mecanismos de defesa coletiva do Caribe, conforme publicou a CNN. Não há evidências de que ele tenha feito uma delação.
Vídeo de jornalista não comprova delação
Entenda o que é a Celac
Cronologia do conflito entre Estados Unidos e Venezuela
Em 11 de novembro, o maior navio de guerra do mundo, o USS Gerald Ford, dos Estados Unidos, chegou às águas da América Latina. Ele se juntou a outros navios de guerra, a um submarino nuclear e a caças F-35 que estão operando na região nas últimas semanas.
Além dos ataques, em 16 de outubro, Trump autorizou operações da Central Intelligence Agency (CIA), a agência de inteligência norte-americana, na Venezuela, segundo a Reuters. Em agosto, o governo dos Estados Unidos ofereceu uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro por tráfico de drogas.
Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova
O Comprova tentou contato com ele, mas não recebeu retorno.
Por que as pessoas podem ter acreditado
A recompensa oferecida pelo governo dos Estados Unidos por informações que levem à prisão de Maduro levou desinformadores a criarem teorias da conspiração associando-o a Lula e indicando que o petista teria relação com possíveis crimes cometidos pelo presidente venezuelano, já que ambos se identificam com a esquerda.
O boato de que a Venezuela financia partidos de esquerda de forma ilegal na América do Sul e na Europa foi impulsionado pela delação do ex-general de inteligência venezuelano Hugo Carvajal, feita na Espanha em 2021. As acusações, no entanto, nunca foram comprovadas e o processo acabou arquivado, conforme demonstrado pelo Estadão Verifica.
Fontes que consultamos: Secretaria de Comunicação da Presidência, Governo Federal, Departamento de Estado dos Estados Unidos, G1, Band, CNN Brasil e Reuters.
Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações para aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Outras checagens sobre o tema: O Comprova já realizou outras checagens sobre a Venezuela, desmentindo um vídeo criado por inteligência artificial em que o assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Celso Amorim, abraça Maduro e explicando um exercício militar de soldados venezuelanos na fronteira com o Brasil.

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