Governador do Pará, Helder Barbalho e o prefeito de Belém, Igor NormandoReprodução/ redes sociais
Belém, capital do estado do Pará (nordeste), é uma cidade de clima tropical com 1,4 milhão de habitantes - metade vive em favelas.
A polêmica explodiu quando a imprensa brasileira repercutiu as declarações de Merz da semana passada, feitas após seu retorno ao país, depois de participar da cúpula de líderes que antecedeu a conferência do clima da ONU, nos dias 6 e 7 de novembro.
Em um fórum comercial em Berlim, Merz elogiou a beleza da Alemanha e afirmou que toda a sua comitiva ficou feliz por deixar Belém.
"Perguntei a alguns jornalistas que me acompanharam no Brasil na semana passada: 'Quem de vocês gostaria de ficar aqui?'. Ninguém levantou a mão", disse Merz. "Todos ficaram felizes por termos voltado à Alemanha, especialmente daquele lugar", acrescentou.
No Brasil, as palavras do líder conservador foram mal recebidas e consideradas depreciativas.
"Curioso ver quem ajudou a aquecer o planeta estranhar o calor da Amazônia. Um discurso preconceituoso do chanceler alemão @_FriedrichMerz revela mais sobre quem fala do que sobre quem é falado", escreveu nas redes sociais o governador do Pará, Helder Barbalho.
Barbalho pediu "menos promessas e mais apoio concreto para quem protege as florestas".
Merz prometeu durante a cúpula que a Alemanha fará uma "contribuição significativa" para a iniciativa brasileira de um fundo de investimentos para a proteção das florestas tropicais, mas sem mencionar valores.
"Infelizmente, o chanceler alemão destila preconceito e arrogância na sua fala, bem diferente do seu povo, que demonstra nas ruas de Belém o encantamento pela nossa cidade", afirmou o prefeito de Belém, Igor Normando, em um vídeo publicado nas redes sociais.
Empenhado em organizar a conferência em Belém para mostrar ao mundo a realidade das pessoas que vivem na Amazônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resistiu às críticas pelo número reduzido de hotéis para receber os mais de 40 mil credenciados do evento.
"Queremos que as pessoas vejam a situação real das florestas, dos nossos rios, dos povos que aqui habitam", argumentou Lula antes do início da COP.
"Queremos que o mundo veja a real situação das florestas, da maior bacia hidrográfica do planeta e dos milhões de habitantes da região", afirmou Lula antes do início da COP.

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