Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) acontece em BelémDivulgação
A repercussão no Brasil não foi unânime, revelando divisões ideológicas. A declaração de Merz foi imediatamente classificada por integrantes do governo brasileiro como uma "grosseria" e um ato de "xenofobia", mas a reação oficial foi contida.
O governador do Pará Helder Barbalho (MDB) rompeu o silêncio oficial para rebater o premiê alemão. Em uma crítica direta, Barbalho classificou a declaração como "preconceituosa", afirmando que ela "revela mais sobre quem fala do que sobre quem é falado".
Congressistas aliados do governo, como o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) e o deputado Rogério Correa (PT-MG), também criticaram Merz, sugerindo que o Brasil preferia o dinheiro para o Fundo Florestas Tropicais à sua presença.
A controvérsia de Merz, no entanto, ecoa as críticas formais que o Brasil já havia recebido da Organização das Nações Unidas (ONU). O Secretário-Executivo da UNFCC, Simon Stiell, já havia enviado uma carta às autoridades brasileiras (Casa Civil, COP-30 e governo do Pará) exigindo urgência na adoção de medidas de segurança após a invasão de manifestantes na Blue Zone (área de negociação). A ONU também registrou reclamações das delegações sobre falhas na infraestrutura, como problemas de refrigeração e falta de água nos banheiros.
A Casa Civil respondeu às críticas da ONU, detalhando o reforço no esquema de segurança, com ampliação dos perímetros e ação conjunta da Força Nacional e da Polícia Federal (PF). Além disso, o governo federal e estadual anunciaram a instalação de novos aparelhos de ar-condicionado e a correção de falhas estruturais, como vazamentos e goteiras, em uma tentativa de conter o desgaste institucional gerado pelas falhas do evento internacional.
No campo político, a fala do chanceler Merz causou uma inversão de posições. Em vez de defenderem a imagem do Brasil, parlamentares e lideranças da extrema-direita brasileira se solidarizaram ao chanceler alemão e instrumentalizaram suas declarações para atacar o presidente Lula e a gestão do evento pelo governo de esquerda. Para esse grupo, o combate ao adversário interno se sobrepôs à defesa da imagem nacional em um episódio de repercussão diplomática negativa.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.