Vítimas trabalhavam em uma provedora de internet Reprodução / Redes Sociais
As vítimas foram identificadas como Ricardo Antônio da Silva Souza, de 44 anos, Jackson Santos Macedo, de 41, e Patrick Vinícius dos Santos Horta, de 28. Eles estavam usando uniformes da empresa e se preparando para realizar um serviço quando homens armados os abordaram.
Uma das linhas de investigação é que o crime teria sido motivado pela empresa não ter pago uma espécie de "pedágio", valor cobrado por traficantes para que possa fornecer o serviço na região. No entanto, essa versão ainda não foi confirmada pela polícia que segue investigando.
A empresa Planet Internet, onde os funcionários trabalhavam, nega que tenha sido contatada por criminosos.
"A Planet Internet encontra-se consternada com o ocorrido e vem prestando todo o apoio necessário às famílias dos funcionários. Destaca, ainda, que em momento algum, a empresa foi contactada, por quem quer que seja, muito menos, recebeu qualquer pedido de resgate ou de pagamento para acesso de suas equipes à localidade em questão", escreveu em nota nas redes sociais.
Os corpos de Ricardo Antônio e Jackson foram enterrados na quarta-feira (17), no Cemitério Bosque da Paz, em Nova Brasília. A cerimônia reuniu familiares, amigos e colegas de trabalho. Já Patrick será sepultado nesta quinta-feira (18), no Cemitério Vale da Saudade, no Caminho das Árvores.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), classificou o crime como "brutal e inaceitável" e disse que ele fere a dignidade humana e o direito de viver e trabalhar em paz.
"Determinei que a investigação seja conduzida com rigor para identificar e responsabilizar os autores, dentro da lei. Vamos seguir enfrentando a violência com firmeza e responsabilidade", escreveu nas redes sociais.
Por fim, o governador se solidarizou com as famílias e afirmou que seu compromisso é com a "verdade e a justiça".
O Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações da Bahia (Sinttel-Bahia) manifestou, em nota nas redes sociais, indignação com o crime.
“Perder a vida no exercício do trabalho, buscando levar conectividade à população é um fato inaceitável que fere não apenas a categoria, mas toda a sociedade baiana”, afirmou o presidente da entidade sindical, Joselito Ferreira, no posicionamento.
A entidade também reforçou o encontro com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) apontando o pedido de uma investigação "célere, rigorosa e transparente" para identificar e punir os responsáveis pela violência.
Os manifestantes, que trabalham com a instalação de internet, percorreram de carro a Avenida Paralela, uma das principais de Salvador.
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações e Operadoras de Mesas Telefônicas (Fenattel) afirmou que é dever do Estado e das companhias assegurar a segurança dos servidores.
"Ao mesmo tempo que repudia que o trabalho de manutenção das redes coloque a vida dos trabalhadores em risco pela falta de ação de segurança pública, que deixa entregues às facções o controle territorial nos bairros mais populares. As contratantes devem assumir sua responsabilidade em garantir a vida dos técnicos e trabalhadores de telecom que não podem ser obrigados a entrar nessas áreas e colocar suas vidas em risco", disse.
O presidente da federação, José Roberto Silva, acrescentou que "não podemos aceitar este acontecimento em Salvador, pois isto afeta além dos trabalhadores e suas famílias, também as empresas , contratos. O Governo e as secretarias de segurança dos Estados precisam ter severas medidas de segurança para que não fique cada vez mais inviável a manutenção dos serviços".

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