Ex-diretor da PRF, Silvinei Vasques, tentou fugir para El Salvador com documentos paraguaios Divulgação/Polícia Paraguaia
Segundo Kronawetter, Vasques utilizava a identidade de outra pessoa para driblar alertas internacionais. “Era um impostor. Usava um documento legítimo, mas não era o titular. Constatamos, em cooperação com a Polícia Federal do Brasil, que ele tinha restrições judiciais que o impediam de sair do país e de utilizar seu próprio passaporte”, declarou em entrevista ao Canal 9.
O diretor explicou ainda que o ex-dirigente da Polícia Rodoviária Federal entrou no Paraguai de forma irregular e pretendia embarcar em um voo com destino a El Salvador. “Tratava-se de um alvo relevante para a Polícia Federal brasileira. A conduta configura usurpação de identidade, pois ele se valeu do passaporte original de outra pessoa para burlar uma ordem de captura internacional”, completou.
De acordo com a polícia paraguaia, Vasques apresentou um documento de identidade e um passaporte em nome de Julio Eduardo. Durante a checagem, agentes de imigração identificaram divergências entre as informações do documento — como numeração e impressões digitais — e os dados do passageiro. Abordado, ele acabou admitindo que os documentos não eram seus.
Houve, inicialmente, a suspeita de que o passaporte pudesse ser verdadeiro, mas com dados adulterados. As investigações apontaram que Vasques estava em Santa Catarina quando rompeu a tornozeleira eletrônica. Após o episódio, autoridades brasileiras comunicaram países vizinhos, entre eles Colômbia, Paraguai e Argentina.
A expectativa, segundo Kronawetter, é que Vasques seja entregue à Polícia Federal brasileira na madrugada de sábado (26). A tendência é que ele seja expulso do Paraguai e retorne ao Brasil pela Ponte da Amizade, que liga Ciudad del Este a Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. Até o momento, a polícia não informou data, horário nem os detalhes do procedimento de transferência.
Antes dessa condenação no STF, Vasques já havia sido punido pela Justiça Federal do Rio de Janeiro, em processo movido pelo Ministério Público Federal, por empregar a máquina administrativa da PRF com finalidade eleitoral. A decisão concluiu que ele utilizou a visibilidade institucional, além de símbolos e recursos da corporação, para favorecer a campanha de reeleição do então presidente Jair Bolsonaro em 2022. Como resultado, foi aplicada uma multa superior a R$ 500 mil, além de outras sanções na esfera cível.
Em 2023, o ex-dirigente chegou a ser preso preventivamente, mas deixou a detenção após decisão judicial que substituiu a prisão por medidas cautelares, incluindo o monitoramento por tornozeleira eletrônica.




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