José Marin foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na última quinta-feira (15)Facebook

O ex-secretário de Educação de Sumaré (SP) José Aparecido Ribeiro Marin recebeu dinheiro proveniente de licitações sob suspeita de fraudes em pelo menos 26 ocasiões, todas na própria prefeitura, segundo investigações da Polícia Federal. Marin foi alvo de busca e apreensão na última quinta-feira, durante a terceira fase da Operação Coffee Break - que apura desvios milionários e contratos fraudulentos na compra de materiais didáticos na região.
Ao Estadão, a defesa de Marin disse que tem "confiança na atuação técnica das autoridades e permanece à disposição para os esclarecimentos necessários".
A Operação Coffee Break mira também a ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Carla Ariane Trindade, por suposta ligação com o empresário André Mariano, apontado como operador do esquema que se espalhou por administrações municipais.
Em novembro, quando a segunda etapa ostensiva da investigação foi deflagrada, ela foi alvo de buscas. Sua defesa nega ligação com irregularidades.
Secretário de Educação de Sumaré por dois anos, entre 2022 e 2024, Marin "autorizava contratações futuras mesmo antes da publicação de qualquer documento oficial relacionado às licitações do município", segundo a PF.
A investigação afirma que Mariano também repassava ao então secretário de Sumaré informações antecipadas sobre transferências do governo federal destinadas ao município.
Em conversas de WhatsApp analisadas pelos investigadores, o empresário demonstra conhecimento prévio sobre o envio de recursos federais ao município. "O governo federal enviou uns 6 milhões pra vocês daquele repasse. Isso deve ajudar", escreveu Mariano em abril de 2023. "Realmente muito bom né", concordou Marin.
Para a Polícia Federal, as mensagens interceptadas também comprovam a realização de diversos encontros presenciais entre os dois.
Arquivos de áudio interceptados pela PF indicam ainda que Mariano confirmava por mensagem os compromissos previamente anotados em seu calendário. Em alguns desses agendamentos, segundo a investigação, o empresário passava antes por um doleiro para retirar valores em espécie que seriam posteriormente entregues na prefeitura de Sumaré.
Os investigadores apontam que Mariano quitou uma parcela de aproximadamente R$ 500 mil de um apartamento adquirido por Marin O imóvel tem valor estimado em R$ 2,86 milhões.