Capitão Alexandre Paulino da Silveira foi preso em casaYouTube/Reprodução
Operação Kratos: Corregedoria prende chefe da Assessoria Militar da Câmara de SP
Além do capitão, dois sargentos da PM foram detidos
A Corregedoria da Polícia Militar prendeu nesta quarta-feira, 4, o capitão Alexandre Paulino da Silveira, chefe da Assessoria Militar da Câmara Municipal de São Paulo. Alvo da Operação Kratos, o oficial foi capturado em sua casa. Ele é suspeito de fazer parte de um grupo de segurança dos proprietários da empresa de ônibus Transwolff, investigados na Operação Fim da Linha por lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os corregedores da Operação Kratos também apreenderam uma mala com R$ 1 milhão em dinheiro vivo na casa do 3º sargento da reserva Nereu Aparecido Alves. Ele alegou que o dinheiro pertence a "um amigo, que não tem ligação com a PM".
O capitão, o 3º sargento Nereu e um outro sargento, Alexandre Aleixo Romano, que atualmente serve no 38.º Batalhão da PM, tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça Militar.
Todos eram policiais da Rota quando teriam participado de um esquema coordenado pelo capitão para prestar segurança ao empresário Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora. Nereu e o capitão foram presos pela manhã. O sargento Romano foi detido à tarde.
A segurança prestada por policiais da Rota aos integrantes da Transwolff, empresa que teve seu contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado depois da Operação Fim da Linha, havia sido inicialmente identificada por uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Com base nessas primeiras informações, a Corregedoria da PM abriu inquérito para apurar as relações entre os PMs e os suspeitos de manterem ligação com o PCC.
Entre as suspeitas da Corregedoria está a de que os policiais tinham ciência de que seus clientes mantêm relações com o crime organizado, o que não os impediu de fazer o serviço de proteção dos empresários. Todos os investigados tiveram suas prisões preventivas decretadas. A Corregedoria obteve ainda 16 mandados de busca e apreensão no âmbito da Operação Kratos. Além da mala estufada com R$ 1 milhão em espécie de posse do sargento Nereu, foram recolhidos computadores, celulares e documentos que serão periciados.
Pelo menos um dos acusados detido estaria ligado a outro esquema investigado pela Corregedoria - vazamento de informações confidenciais de operações contra o PCC que envolveria policiais da Rota.
Mensagens
Em 8 de abril de 2022, os promotores do Gaeco produziram o Relatório Informativo nº 11. O documento reúne conversas de diretores da Transwolff. Terceira maior empresa do setor em operação na capital, a Transwolff foi alvo em 2024 da Operação Fim da Linha, que apurou a captura de parte do sistema de transporte público de São Paulo pelo PCC.
Os promotores investigaram a denúncia de que a empresa de ônibus lavava dinheiro da facção. Eles verificavam a suposta relação dos diretores da Transwolff com o então vereador Milton Leite, o todo-poderoso do União Brasil em São Paulo. À época, Leite negou enfaticamente qualquer irregularidade.
Nessa linha de investigação, os promotores encontraram mensagens do sargento da Rota Alexandre Aleixo Romano para diretores da empresa de ônibus.
Romano trabalhava em uma companhia da Rota até se envolver em um caso de morte em decorrência de intervenção policial, ou "MDIP", no linguajar policial-judiciário. Ele foi transferido para a sala de rádio do Batalhão.
"Estamos à disposição. Sempre que você quiser proporcionar esses momentos para a sua família, independentemente do dia, é só acionar a gente", escreveu o policial para um dos diretores da empresa, em mensagem interceptada pelo Gaeco.
Mensagens do capitão Alexandre revelam a distribuição de valores entre policiais que faziam a segurança dos sócios da Transwolf: R$ 4.000 para o sargento Ronaldo, R$ 4.000 para Romano, R$ 6.000 para Nereu, R$ 3.725 para Alexandre e R$ 275 para Souza.
Em outro inquérito, a Corregedoria apura o vazamento de operações da Rota e do Gaeco para o PCC.
Após a descoberta de seu ‘bico’ como segurança da direção da Transwolff - parte dela foi presa na Operação Fim da Linha -, Romano foi obrigado a se afastar da Rota. A decisão ficou registrada em outra mensagem interceptada. Inquérito da Corregedoria indica ainda que Romano passaria informações aos traficantes ‘Cebola’ e ‘Tuta’. O inquérito policial militar cita o caso da segurança na Transwolff.
A reportagem busca contato com a defesa dos acusados.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.