Jeffrey Chiquini ganhou projeção ao atuar no julgamento da trama golpista Facebook/Reprodução

São Paulo - O advogado de Filipe Martins, Jeffrey Chiquini, anunciou que vai disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Partido Novo no Paraná. O lançamento da pré-candidatura ocorreu nesta segunda-feira, 2, em Curitiba, com a presença de lideranças políticas locais e nacionais.
Advogado do ex-assessor especial para Assuntos Internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Chiquini ganhou projeção nas redes sociais ao publicar conteúdos críticos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Hoje, acumula milhões de seguidores.
"Eu tomo essa decisão de ser pré-candidato a deputado federal com uma missão específica: ser advogado do Congresso Nacional", afirmou em vídeo divulgado nas redes. "Não apenas advogado de causas, mas advogado do povo brasileiro no Congresso, porque precisamos de uma reforma no nosso sistema de Justiça."
Também na segunda-feira, o pré-candidato ao Senado pelo Novo no Paraná, Deltan Dallagnol, manifestou apoio a Chiquini. Ex-procurador da Operação Lava Jato, Dallagnol também é crítico da atuação de Moraes. "Uma andorinha não faz verão sozinha. Que honra ter o Jeffrey Chiquini agora voando conosco", escreveu em suas redes.
Chiquini também atua na defesa do militar do Exército Rodrigo Bezerra Azevedo, condenado a 21 anos de prisão em regime inicial fechado sob acusação de integrar o grupo conhecido como "kids pretos" e de ter dado apoio ao plano de assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), além do relator de sua ação no STF, Moraes.
Foi com a defesa de réus acusados de envolvimento na trama golpista e com publicações nas redes sociais que o advogado se tornou uma espécie de celebridade digital entre apoiadores de Bolsonaro. Em 2022, tinha pouco mais de 12 mil seguidores; hoje soma 2,1 milhões apenas no Instagram. A maior parte desse crescimento ocorreu no ano passado, após cortes de suas sustentações e intervenções no STF viralizarem em plataformas como Instagram, YouTube e X.
Atritos com Moraes
Em julho do ano passado, Moraes protagonizou uma série de embates com Chiquini durante audiência com testemunhas na ação penal sobre a tentativa de golpe. Em determinado momento, o ministro disse ao advogado para se calar. "Doutor, enquanto eu falo, o senhor fica quieto", afirmou. O trecho circulou amplamente nas redes sociais.
O primeiro ponto de tensão ocorreu após o advogado apresentar diversas questões de ordem sobre os procedimentos adotados na tramitação das ações penais. Logo no início da audiência, ao questionar o tenente-coronel Mauro Cid, Moraes criticou sua postura. "Há advogado e há as partes. Se o senhor deseja denunciar alguém, deveria ter prestado concurso para o Ministério Público", disse.
O ministro também indeferiu uma pergunta feita pela defesa de Filipe Martins. Chiquini questionava Cid se ele desejava um golpe de Estado em 2022, quando Moraes interrompeu a oitiva e classificou o questionamento como "impertinente".
Em outro momento, Cid riu de uma das perguntas, e o advogado reagiu: "O que tem de engraçado?". Moraes interveio para encerrar o atrito e voltou a repreender o defensor. "Doutor Jeffrey, o senhor vai se comportar? O senhor pode deixar para fazer isso nos seus likes do X", disse o ministro. Chiquini respondeu: "Eu não estou pedindo licença para trabalhar e defender meu cliente. Foi o réu que riu do advogado".
Em mais um episódio de tensão, Moraes afirmou que o advogado deveria deixar de fazer "teatrinho".
Filipe Martins foi condenado pelo STF, em 16 de dezembro de 2025, a 21 anos e seis meses de prisão por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe entre 2022 e 2023. A decisão ainda não transitou em julgado e cabe recurso.
Apesar disso, Martins teve a prisão preventiva decretada após acessar sua conta no LinkedIn para visualizar perfis de terceiros, descumprindo decisão do STF que o proibia de utilizar redes sociais.