O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, diz não enxergar magnitude dita sobre aumento de custo às empresasFabio Rodrigues-Pozzebom/Agênci
Ministro do Trabalho diz não acreditar que fim da escala 6x1 leve ao aumento da informalidade
Luiz Marinho pediu ao Parlamento urgência para que entre no debate sobre pejotização
Sobre um possível aumento da informalidade decorrente do fim da jornada 6x1, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse nesta terça-feira, 10, não acreditar nessa hipótese. Ele afirmou que hoje o número de trabalhadores informais é grande (39 milhões), mas menor do que já foi. "Quanto mais o mercado de trabalho se fortalece, quanto mais a gente garante segurança jurídica, mais compensa a transferência da informalidade para a formalidade, essa é a aposta. Portanto, não vejo essa consequência e não há que se falar em consequência também na Previdência Social."
As declarações ocorreram em audiência pública realizada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, na tarde desta terça-feira, sobre o fim da jornada de trabalho 6x1.
Ele pediu que o Parlamento entre com urgência no debate da pejotização, que já está em debate no Judiciário. "Aqui há um grande risco. O Supremo parece que vai avançar nisso, por isso eu clamo o Parlamento entrar urgente nesse debate, porque autorizar que um gari, trabalhador que trabalha honrado e tal, mas ser considerado PJ é uma insanidade, é uma aberração jurídica. Considerar que um auxiliar de escritório é uma pessoa jurídica é uma insanidade, uma aberração jurídica", exemplificou
Marinho afirmou que está ocorrendo no País uma "fraude trabalhista", e é importante entrar nessa discussão para proteger não só a Previdência, mas também o Fundo de Garantia para continuar investindo e financiando a infraestrutura, os municípios, a saúde, as santas casas, a habitação e também para eventuais saques emergenciais de FGTS em casos de calamidade.
Custo das empresas
O ministro disse que o governo não enxerga a magnitude que vem sendo falada de impacto no custo para as empresas com o fim da jornada de trabalho 6x1. Ele disse que o próprio sistema vai sustentar a mudança. "Nós topamos uma mesa técnica para apurar e discutir exatamente qual é o impacto real em cada segmento da economia brasileira", comentou.
Marinho afirmou ser "fã da negociação" entre empregadores e trabalhadores, mas destacou que as empresas não toparam negociar nos últimos anos e por isso foi necessária a discussão no âmbito do Congresso Nacional. "Tem hora que é preciso enfrentar", defendeu.
Posição do governo sobre a jornada
O ministro disse ainda que o governo não é contra que o Congresso avalie ao longo do tempo a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais. Pouco antes, ele tinha sustentado que o que cabe neste momento é a escala 5x2, com redução de 44 horas para 40 horas de trabalho semanais, pois é o que a economia brasileira suporta.
"As 36 horas nós não podemos perder do horizonte. Então, a minha posição, a posição do governo é assim, nós não somos contra que o Congresso avalie, no tempo, a PEC para 36 horas", disse Marinho.
Ele deu alguns exemplos, dizendo que há uma tendência global de redução das jornadas de trabalho, e disse que os países do G7 já operam com médias inferiores a 36 horas semanais.
Mas Marinho defendeu que se pense em uma redução para 36 horas com uma transição mais alongada. "Não somos contra. Agora, a nossa posição, a posição de governo, discutida em governo, é, nós queremos que o Congresso avalie rigorosamente a possibilidade de implantar, imediatamente, as 40 horas semanais sem redução de salário, com duas folgas na semana."
Segundo ele, é isso que se entende que é, majoritariamente, o pedido da classe trabalhadora brasileira, especialmente da juventude. "Agora, não somos contra que o Congresso avalie, eventualmente, a PEC para 36 horas, para daqui a X anos", concluiu.
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