Unicamp abre investigação interna sobre furto de material biológico
Professora presa em flagrante foi liberada e diz que 'amostras levadas são de vírus'
Materais podem ser classificados como riscos biológicos, que envolvem a probabilidade de exposição a microrganismos, parasitas, toxinas ou príons - Reprodução
Materais podem ser classificados como riscos biológicos, que envolvem a probabilidade de exposição a microrganismos, parasitas, toxinas ou príonsReprodução
A Reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) instaurou, nesta quarta-feira (25), uma sindicância interna para apurar o furto de material de pesquisa que aconteceu no Instituto de Biologia da instituição.
O alerta foi feito no segundo final de semana de fevereiro. Nesta segunda-feira (23), a Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp.
A docente foi liberada na terça-feira (24). Segundo as autoridades, ela é suspeita de furtar o material do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia — um dos mais seguros do Brasil.
A informação está no Termo de Audiência que deu liberdade provisória à suspeita pelo desaparecimento do material biológico. De acordo com a Justiça Federal, a pesquisadora vai responder por expor a perigo a vida e saúde de outras pessoas, por transporte irregular de organismo geneticamente modificado e por fraude processual.
O que se sabe até agora?
A PF cumpriu mandado de busca e apreensão e localizou o material com a professora. Ele foi encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise técnica.
As amostras de vírus que teriam sido furtadas do laboratório de virologia da Unicamp foram retiradas de uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), que exige protocolos rigorosos e é, atualmente, o nível mais alto possível para se estudar agentes infecciosos (como vírus e bactérias) em laboratórios no Brasil.
Segundo a PF, a própria universidade comunicou o desaparecimento do conteúdo, o que levou à abertura do inquérito. As ações também contaram com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), devido ao risco biológico associado ao transporte e manuseio dos organismos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu apoio técnico às autoridades policiais.
O material já foi encontrado dentro da universidade.
Cronologia
Cronologia dos fatos:
13 de fevereiro (sexta-feira): amostras de vírus somem do laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp;
23 de março (segunda): após investigação, PF encontra material em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde Soledad atuava;
23 de março: os laboratórios ficam interditados para colaboração e cumprimento de mandados e a pesquisadora é presa;
24 de março: Justiça de São Paulo concede liberdade e menciona em decisão que se trate de um vírus.
A universidade ainda não divulgou detalhes sobre o tipo de amostra ou possíveis impactos para as atividades científicas do instituto em sua movimentação.
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