A expectativa é de que em alguns anos o Instituto Butantan assuma a produção do medicamentoRovena Rosa/Agência Brasil

O Instituto Butantan e a farmacêutica MSD oficializaram um acordo para a produção nacional do pembrolizumabe, um tratamento avançado contra o câncer voltado aos pacientes do SUS. Viabilizada por um edital de 2024 do Ministério da Saúde, a parceria prevê a transferência gradual de tecnologia, permitindo que o Butantan assuma a fabricação do fármaco em alguns anos.

Diferente da quimioterapia tradicional, esta imunoterapia estimula o próprio sistema imunológico a combater tumores de forma menos tóxica e mais eficaz. Atualmente, o governo investe cerca de R$ 400 milhões anuais para atender 1,7 mil pacientes com melanoma metastático.
Com a possível expansão do tratamento para cânceres de colo do útero, esôfago, mama e pulmão, a demanda pode saltar para 13 mil pacientes por ano, gerando economia e garantindo a soberania tecnológica do país.
"O objeto dessa parceria é uma molécula nova, e o Butantan vai desenvolver a capacidade de produzir esta molécula e acima de tudo desenvolver a competência para produzir outras moléculas similares no futuro.", conta Fernanda.
Segundo ela, a produção nacional deixa o paciente mais seguro. "A gente produzir aqui deixa o paciente brasileiro com mais garantias de que esse medicamento não vai faltar por conta de eventos externos que causem a interrupção de cadeias logísticas."
Competição
Fruto de um edital estratégico para o fortalecimento do SUS, a parceria entre a farmacêutica MSD e o Instituto Butantan prevê a nacionalização da produção do medicamento pembrolizumabe. A iniciativa integra a meta do Governo Federal de produzir domesticamente 70% dos insumos de saúde em até dez anos. Segundo Rodrigo Cruz, diretor de Relações Governamentais da MSD Brasil, a transferência tecnológica ocorrerá de forma gradual e terá início após a aprovação de novas inclusões do fármaco na rede pública.

O cronograma de dez anos estabelece que o aprendizado técnico comece pelas etapas de rotulagem e envase, evoluindo para a formulação até atingir a produção do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA). A expectativa é que o remédio seja integralmente fabricado no Brasil em até oito anos. O anúncio foi realizado no Rio de Janeiro, durante o evento Diálogo Internacional, onde o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância da cooperação tecnológica para a soberania e o desenvolvimento do país:
Não tem como enfrentar esses desafios sem forte cooperação internacional. A saúde deixou de ser apenas uma política social e passou também a ser um eixo central do desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e geração de empregos qualificados.", relata Padilha.
O ministro ainda falou sobre a cadeia estrutural do sistema público de saúde brasileiro: "O SUS não é apenas o maior sistema público universal do mundo, mas também um dos maiores mercados estruturados do planeta em escala, previsibilidade, demanda e capacidade de absorção tecnológica."