Presidente LulaRicardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quarta-feira, 8, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). Segundo o petista, o senador e pré-candidato à Presidência pelo PL defenderia a venda de terras raras brasileiras aos Estados Unidos, enquanto classificou como "uma vergonha" um acordo firmado por Caiado com os norte-americanos nessa área.

"Flávio quer vender para os EUA uma coisa tão importante quanto petróleo", disse Lula em entrevista ao canal ICL Notícias. "É uma vergonha, inclusive, o que o Caiado fez em Goiás. O Caiado fez um acordo com uma empresa americana, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União", acrescentou.

Segurança e defesa

Na avaliação do presidente, é necessário cautela para evitar a entrega de ativos estratégicos e recursos naturais do País. Lula afirmou que o cenário internacional impõe ao Brasil a necessidade de tratar com maior atenção os temas de segurança e defesa, diante de pressões externas e disputas geopolíticas.

"Precisamos fortalecer a indústria de defesa, um país do nosso tamanho não pode ficar sem segurança", afirmou Lula. "Qualquer dia alguém resolve invadir a gente, tem um cidadão do mundo que acha que é imperador", disse em indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O presidente também avaliou que há uma tentativa de consolidação de um campo político de ultradireita no País, que, segundo ele, representa riscos ao funcionamento das instituições democráticas Lula citou críticas recorrentes ao sistema eleitoral brasileiro por parte de grupos ligados ao bolsonarismo, ressaltando que não houve comprovação de irregularidades nas urnas eletrônicas.

Ainda segundo o petista, a defesa da democracia deve ocupar posição central no debate eleitoral. Ele afirmou que pretende ampliar a discussão pública sobre o tema, destacando que o regime democrático envolve não apenas o direito ao voto, mas também a garantia de direitos sociais. Nesse contexto, mencionou a defesa do fim da escala de trabalho 6x1.

Na área de segurança pública, Lula afirmou que uma atuação mais direta do governo federal depende da definição clara das competências da União. Segundo ele, é necessário que uma legislação estabeleça esse papel de forma objetiva.

O presidente acrescentou que, com a eventual aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o governo pretende avançar na reorganização da área. De acordo com Lula, a criação de um Ministério da Segurança Pública poderá ser anunciada na semana seguinte à aprovação da medida.
"Para o governo federal entrar na segurança pública, precisamos de uma lei que diga nosso papel", disse. "Hoje, a segurança é quase toda de responsabilidade dos Estados".
Reconstrução
Lula também afirmou que vai pleitear ao PT que seja reconstruída uma frente ampla para impedir a volta do bolsonarismo ao Poder Executivo, que ele classificou como "fascista".

"Vou pleitear ao PT a necessidade da gente reconstruir uma aliança política forte para a gente não permitir que os fascistas voltem a governar este País. Este é o papel que eu tenho para jogar agora", disse Lula.

O chefe do Executivo disse que dificilmente não será candidato à reeleição, mas evitou dizer que concorrerá antes da convenção do PT, em julho. Mesmo assim, o presidente disse que o seu diferencial é ser o político mais experiente do País.
"Eu tenho o acúmulo de experiência que ninguém tem neste País. Não tem nenhum político que tenha a experiência que eu tenho neste País. Essa é a vantagem de ser longevo", declarou

Lula disse também que é preciso melhorar a qualidade dos políticos do País onde, segundo ele, há muita "coisa podre". Ele também afirmou que o crime organizado conseguiu se infiltrar em diversos setores da sociedade, inclusive no setor público.

"O crime organizado está em tudo quanto é lugar, o crime organizado está na política, no futebol, na religião, está em tudo quanto é lugar", afirmou.
Inadimplência
O presidente apontou que está preocupado com o endividamento do povo brasileiro. Segundo o presidente, as razões das crescentes dívidas entre a população são a baixa renda e a necessidade de consumo.

"Hoje estou com uma preocupação com o endividamento do povo brasileiro. Uma das razões do endividamento é que o povo ganha pouco, então, se ele ganha pouco, ele fica com dívidas mais rápido. A outra é a necessidade do povo ter acesso às coisas que são oferecidas", declarou Lula.

Encontrar soluções para o endividamento foi a missão dada por Lula ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que assumiu o cargo no mês passado após a saída de Fernando Haddad, que vai disputar o governo do Estado de São Paulo.

Em uma agenda em Anápolis (GO), no mês passado, Lula disse que o endividamento da população impede que os brasileiros sejam beneficiados com números positivos da economia.

"Pedi ao meu ministro da Fazenda que a gente precisa tentar resolver esse problema da dívida das pessoas. Não quero que as pessoas deixem de endividar para ter coisas novas na vida. Não estou pedindo isso. O que queremos é ver como fazemos para facilitar o pagamento do que vocês devem e como podemos colocar na televisão uma política de ensino de administração do salário", afirmou o presidente da República.

Na segunda-feira, 6, Lula reuniu Durigan e os ministros Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) e Miriam Belchior (Casa Civil) para discutir mecanismos que possam reduzir os endividamentos.
Moraes
Lula afirmou que disse ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que não deixasse o caso das fraudes bilionárias do Master acabar com a "biografia histórica" dele, construída no julgamento dos atos golpistas do 8 de Janeiro.

"Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a tua biografia", repetiu Lula o que disse a Moraes em entrevista ao ICL. Segundo Lula, o ministro estava fora do seu escritório de advocacia há quase 15 anos, pois foi secretário do Estado de São Paulo, ministro da Justiça e, agora, integrante do STF.

O presidente também afirmou que aconselhou Moraes a se posicionar sobre o caso Master e se declarar impedido de votar sobre o caso Master pelo fato da mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes, ter atuado na defesa da entidade de Daniel Vorcaro.

"Se a sua mulher estava advogando, diga textualmente: a minha mulher estava advogando, minha mulher não tem que pedir licença, e eu só prometo que aqui na Suprema Corte o caso da minha mulher eu me sentirei impedido de votar", disse Lula.

O escritório de Viviane Barci de Moraes recebeu R$ 80,2 milhões em pagamentos do Banco Master, em 2024 e 2025. O contrato, firmado no início de 2024, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos.

Em nota, o escritório afirmou que "não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos".

Além disso, Moraes e Viviane pegaram ao menos oito voos em aeronaves particulares de uma empresa ligada a Vorcaro entre maio e outubro de 2025.
Bets 
O presidente da República também disse que discute há duas semanas a proibição das bets no Brasil. Lula afirmou que elas serão vetadas se depender dele, mas que é necessária uma decisão do Congresso Nacional. "Se depender de mim, a gente fecha as bets. Obviamente que depende do Congresso Nacional e de uma discussão", comentou Lula.

Porém, sem citar nomes, Lula disse que há deputados, senadores e partidos políticos que estão envolvidos com as empresas de bets.

O presidente afirmou que, tendo em vista os malefícios dos jogos, é preciso acabar a permissão delas atuarem no Brasil ou, ao menos, regular para que haja apenas algumas.

Segundo Lula, é preciso acabar com "jogatina desenfreada no País". Ele disse ainda que, mesmo o Brasil sendo um país religioso, existe um "cassino dentro de casa" com os celulares.

Lula também respondeu às criticas sobre a alocação dos impostos pagos pelos contribuintes, segundo ele, graças aos tributos, são gastos R$ 400 bilhões em políticas sociais que visam os mais necessitados.