O policial militar Weden Silva Soares, suspeito de envolvimento na ação que resultou na morte de Thawanna Salmázio na Zona Leste de São Paulo, afirmou à Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo nesta sexta-feira (10) que não realizou os primeiros socorros à vítima porque possuía apenas uma gaze na viatura.
Em interrogatório, o PM relatou que não portava taser (arma de eletrochoque) porque o equipamento não estava disponível para todas as viaturas do batalhão. Sobre a ausência da câmera corporal da soldada Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, que efetuou o disparo contra Thawanna, ele afirmou que a policial era recém-formada e que os agentes da turma dela ainda não tinham acesso ao sistema. O órgão informou que ambos estão afastados das ruas até a conclusão das investigações. A policial estava no fim do estágio probatório.
No momento da ocorrência, a câmera corporal da policial estava desligada. No entanto, o equipamento de Weden Silva Soares, que a acompanhava, funcionava e registrou imagens que desmentem a versão inicial apresentada pela dupla, de que a vítima e o marido teriam atacado a viatura.
Dinâmica do crime
O crime aconteceu dia 3 de abril, quando Thawanna e o marido, Luciano Gonçalves dos Santos, caminhavam pela Rua Edimundo Audran, quando a viatura da PM passou pelo local. A confusão começou após Luciano ser atingido pelo retrovisor do veículo. Weden deu marcha à ré e iniciou uma discussão com o casal. Luciano declarou que não desviou do veículo por não acreditar que a viatura pudesse atingi-lo.
Em seguida, a soldada Yasmin, que ocupava o banco do passageiro, desceu da viatura e passou a discutir com Thawanna. A situação escalou até que Yasmin atirou contra a mulher. A vítima só foi socorrida cerca de 30 minutos depois, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Provas e desdobramentos
Por meio da câmera corporal de seu parceiro, Yasmin foi flagrada declarando que atirou porque Thawanna "bateu em em minha cara". Logo após a chegada de outros agentes da corporação, Weden afirmou: "Seria interessante achar uma câmera que mostre ela te dando o tapa na cara".
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) também abriu inquérito para investigar as circunstâncias da morte de Thawanna e a conduta dos policiais envolvidos.
O marido de Thawanna Salmázio e um vizinho que presenciou a ação dos policiais vão prestar depoimento na tarde desta sexta-feira (10) no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo a advogada da família, Viviane Leme, outras duas testemunhas cujos nomes não foram divulgados também serão ouvidas nesta sexta.