Ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Augusto VeigaLuciele Oliveira/MinC

 Brasil e Cabo verde vão intensificar parceria cultural nas áreas de artes visuais, museus e literatura, além de promover intercâmbio no setor de audiovisual e economia criativa.

A ministra da Cultura do Brasil, Margareth Menezes, e o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Augusto Veiga, assinaram memorando esta semana em que se comprometeram ainda a fortalecer iniciativas já existentes.

Segundo a ministra, que esteve em missão no país africano, foi criado um grupo de trabalho para consolidar e ampliar cada vez mais a cooperação entre Brasil e Cabo Verde.

“Cabo Verde é um país pelo qual nós temos carinho grande e uma relação real, e hoje no Brasil há uma vontade de retomarmos nossos laços históricos e de conhecermos as nossas ancestralidades de maneira mais profunda.”

Para o ministro da Cultura de Cabo Verde, o Brasil tem sido grande referência para o seu país nesse setor. “Acredito que o memorando vai melhorar ainda mais as relações culturais entre os nossos países.”

Digitalização de acervos
O ministro adiantou ainda que o seu país pretende utilizar muito a experiência do Brasil com a digitalização dos arquivos nacionais e sobre os incentivos a coproduções cinematográficas, além de ações conjuntas em economia criativa.

“Acreditamos que por meio da cultura poderemos impulsionar ainda mais a relação entre os nossos povos.”

Lei Rouanet
O compartilhamento de experiências em financiamento cultural, como a Lei Rouanet – principal mecanismo de fomento à cultura no Brasil –, está entre as ações que integram o memorando.

A ministra detalhou os avanços para a implementação do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, que concede segurança jurídica aos proponentes e artistas, além de tratar do impacto econômico da Lei Rouanet.

“A cultura é um motor de desenvolvimento. E, para isso, estamos trabalhando na questão de prestar contas, fazer pesquisa de dados, para fazer uma devolutiva para a sociedade da importância do investimento na cultura.”

Visita histórica
Durante a missão, Margareth Menezes conheceu espaços e equipamentos culturais de Cabo Verde, como a Cesária Évora Academia de Artes.

Lá, Margareth Menezes viu objetivos pessoais, discos, condecorações e vídeos da cantora cabo-verdiana, que morreu em 2011, aos 70 anos.

Conhecida como a Diva dos Pés Descalços, a cantora foi um dos nomes mais importantes da música do país.
Ela esteve ainda no Museu do Mar, no Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design e na quadra do grupo carnavalesco Cruzeiros do Norte, onde acompanhou a preparação da bateria e o trabalho desenvolvido com crianças e jovens sobre o carnaval.

O grupo incorpora referências do samba-enredo, além de valorizar ritmos locais, como o batuque e a mazurca.

“Foi uma grata oportunidade ver o potencial que tem a cultura. No Brasil, também temos esta visão, de entender que é fundamental o investimento no setor cultural, porque ele traz retornos importantíssimos”, ressaltou a ministra.

Presidente de Cabo Verde
Margareth Menezes reuniu-se ainda com o presidente de Cabo Verde, José Maria Neves. Os dois conversaram sobre a identidade, a literatura e os laços históricos entre o Brasil e o país africano.

Ela citou ainda o papel da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que, para ela, é um espaço de articulação entre os países. Ambos os países integram o Programa CPLP Audiovisual, que conta ainda com a participação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

À imprensa local, a ministra defendeu a volta dos voos diretos entre Brasil e Cabo Verde como forma de impulsionar projetos conjuntos: “A retomada dos voos aéreos faz toda a diferença para a concretização de projetos futuros de fortalecimento das nossas relações culturais”.

Espanha
De Cabo Verde, Margareth Menezes seguiu para a Espanha, onde esteve, em Madrid, com o ministro da Cultura espanhol, Ernest Urtasun Domènech. Na conversa, trataram de temas como direitos culturais, economia criativa, ambiente digital e políticas de inclusão.

O ministro ressaltou o papel transformador das políticas culturais com impacto social e reconheceu a atuação do Brasil nesse aspecto.

“Temos aprendido muito com o Brasil, especialmente na compreensão da cultura como um direito fundamental de cidadania.”

Também na cidade, ela fez visitas técnicas a iniciativas culturais com foco em acessibilidade, diversidade e impacto social.