Michelle Bolsonaro compartilhou publicação com comentário em sua rede socialRedes Sociais / Reprodução

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comemorou na quarta-feira (29), a rejeição da indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Em rede social, a presidente nacional do PL Mulher compartilhou uma publicação do senador Marcio Bittar (PL-AC) sobre o resultado da votação e comentou que a "justiça de Deus foi feita".

O indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 34 votos a favor e 42 votos contrários no plenário do Senado Federal. Eram necessários pelo menos 41 votos dos 81 senadores para que ele fosse aprovado. Com a rejeição, a indicação foi arquivada.

Messias foi o nome com maior resistência aberta nos últimos 120 anos para tentar chegar ao STF. A formalização da indicação ocorreu em abril deste ano, mais de quatro meses após Lula ter anunciado a escolha, em novembro de 2025.

Os bolsonaristas acreditam que a rejeição do advogado-geral da União é uma demonstração de fragilidade do governo do presidente Lula: "A oposição se uniu, enfrentou a pressão e mostrou que ainda existe quem vote com convicção e não se curve", escreveu o senador Marcio Bittar na publicação compartilhada pela ex-primeira-dama.

Enteado de Michelle, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que essa foi uma vitória da oposição, mas evitou relacionar o resultado às eleições de 2026:

"Não estou comemorando nada, mas é uma vitória da oposição. É histórico e é um bom sinal de que a democracia pode voltar a respirar. Ninguém nunca tentou dar golpe de nada, a gente só queria que as instituições respeitassem os seus limites", disse após a votação.

A candidatura de Messias, que é evangélico, foi apoiada publicamente por pastores e outros religiosos e conservadores de diversas denominações. O ministro do STF André Mendonça declarou apoio a ele e escreveu nesta quarta-feira após a rejeição que o País perdeu um grande ministro.

Messias se tornou alvo da descontentamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com a decisão de Lula de não indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga do Supremo.

Lula anunciou o AGU como seu escolhido em novembro do ano passado, mas só oficializou o envio do nome a Senado em abril deste ano por causa da "guerra fria" com Alcolumbre, que ameaçava nos bastidores rejeitar o nome do Palácio do Planalto. Após a votação no Senado, Messias indicou ressentimento pelo resultado.

"Passei por cinco meses de um processo de desconstrução da minha imagem. Toda sorte de mentira para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso", afirmou, sem citar diretamente o nome de Alcolumbre.
Gleisi Hoffmann: 
A deputada federal e ex-ministra da articulação política do governo Lula, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou nesta quinta-feira (30), que a rejeição ao nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) abre uma oportunidade para indicar uma mulher à Corte.

"Acho que essa é uma oportunidade para a gente fazer esse debate, essa discussão", afirmou ao ser perguntada se a rejeição de Messias cria uma possibilidade de indicar uma mulher à vaga.

A declaração foi feita ao fim da sessão no Congresso que derrubou o veto presidencial ao PL da Dosimetria em votações nas duas Casas. Foi a segunda derrota do governo Lula nos últimos dois dias.

Questionada também se a votação que rejeitou Messias foi fruto de falhas na articulação política, Gleisi afirmou que, "com a traição que tivemos, não tem articulação que dê conta".

Na noite da quarta-feira (29), o Senado rejeitou o nome do advogado-geral da União, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. O placar foi de 34 votos favoráveis e 42 contra; Messias precisava de ao menos 41 para passar.

O resultado, repleto de traições na base governista, impôs uma derrota histórica a Lula. Há 132 anos, desde 1894, o Senado não barrava um indicado pelo presidente ao Supremo.

Alguns aliados de Lula defendem que o petista agora indique uma mulher à vaga. Seria um meio tanto de aumentar a representatividade na Corte quanto de transferir um eventual ônus com uma nova rejeição para o colo de Alcolumbre, que operou para derrubar Messias. Isso porque haveria maior pressão popular pela aceitação de uma indicada mulher.