Valdemar da Costa Neto afirmou que o senador Ciro Nogueira deve ter o direito de se defenderValter Campanato/Agência Brasil
Valdemar: mesmo após investigações, PL ainda quer Ciro Nogueira no palanque de Flávio Bolsonaro
Presidente do partido disse que participação do senador na campanha está garantida 'até que se prove alguma coisa'
São Paulo - O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta terça-feira, 12, que a sigla quer o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no palanque ao lado do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (RJ). A declaração ocorreu após a operação da Polícia Federal (PF) que apontou que o senador recebia vantagens indevidas do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Questionado se o PL ainda quer Ciro no palanque de Flávio, Valdemar respondeu:
"Hoje ainda queremos. Até que se prove alguma coisa contra ele. Se provarem alguma coisa contra ele, a conversa muda. Temos que dar o direito de defesa a ele", disse em entrevista à CNN Brasil.
Relevante figura do Centrão, Ciro Nogueira foi ministro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e se tornou o primeiro congressista a ser oficialmente alvo das apurações da PF sobre as fraudes do Banco Master.
Na última quinta-feira, 7, o senador foi alvo de busca e apreensão em mais uma fase da Operação Compliance Zero. A PF encontrou no telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro diálogos com o senador e ordens para pagamento a uma pessoa de nome "Ciro".
Segundo as investigações, Nogueira enviou ao Senado uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com o objetivo de favorecer os interesses do banco. Em diálogos encontrados no telefone de Vorcaro, o banqueiro chegou a comentar que a emenda apresentada pelo parlamentar "saiu exatamente como mandei".
De acordo com a PF, o texto apresentado por Ciro Nogueira coincide "de forma integral" ao texto preparado pela assessoria do Banco Master. As mensagens colhidas no celular do banqueiro indicam que ele mandou que o texto fosse entregue em um envelope no endereço do senador.
A proposta de emenda tratava do regime jurídico do Banco Central propunha aumentar o limite de cobertura individual do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Isso favoreceria diretamente o Master, porque o banco de Vorcaro usou a captação com pessoas físicas por meio de recursos via Certificados de Depósito Bancário (CDBs) para alavancar seu patrimônio. A emenda acabou não sendo aprovada.
Para a PF, a ação demonstra que Ciro Nogueira tomou iniciativas concretas para tentar favorecer Vorcaro no Senado em troca de pagamentos de propina, o que pode caracterizar o crime de corrupção.
Os investigadores apontam que o senador recebia uma mesada de R$ 300 mil do banqueiro. Segundo a apuração, "há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil".
Os investigadores também dizem que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de custear hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo.
Entre os gastos mencionados, estão estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A investigação cita ainda a disponibilização de um cartão para cobertura de gastos pessoais
A defesa do presidente do PP diz que ele "não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados" e que as medidas investigativas contra ele "podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade". Nesta segunda, 11, o escritório de Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) deixou o caso do senador.
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