Na área onde ocorreu a explosão, 86 imóveis foram liberados para os moradoresAFP / Reprodução
As vistorias técnicas foram realizadas pela Defesa Civil do Estado de São Paulo e pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), além de equipes da Sabesp e Comgás. Uma nova comissão vai reavaliar nesta quinta-feira, 14, as condições estruturais destes imóveis interditados.
De acordo com a Sabesp e a Comgás, 232 pessoas foram cadastradas e receberam o auxílio emergencial para despesas imediatas, no valor de R$ 5 mil. As famílias também estão sendo acolhidas em hotéis.
As empresas concessionárias afirmaram que todos os demais danos sofridos pelos moradores, incluindo a reconstrução das casas, serão ressarcidos pelas empresas. As equipes da Sabesp e Comgás já iniciaram a reforma das unidades atingidas no bairro que já passaram pela vistoria técnica.
A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) oficializou as concessionárias Sabesp e Comgás para a apresentação dos primeiros esclarecimentos sobre a explosão ocorrida no Jaguaré. As empresas deverão encaminhar as informações solicitadas até esta sexta-feira, 15.
“A medida faz parte do processo fiscalizatório instaurado pela Arsesp para apurar as causas do incidente. A documentação encaminhada pelas concessionárias será analisada pela Agência e poderá subsidiar a adoção das medidas cabíveis previstas nos respectivos contratos”, disse, em nota, o governo do estado.
O governo estadual criou a Gerência de Apoio do Jaguaré, segundo publicação na edição desta quinta-feira do Diário Oficial do Estado (DOE), para coordenar e acompanhar as ações emergenciais voltadas ao atendimento das vítimas e à restauração da área.
Privatização
O Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) divulgou nota pública de pesar pela explosão no Jaguaré, repudiando o desmonte técnico do saneamento. A entidade classificou o caso como uma tragédia que exige apuração rigorosa, além de “revisão urgente de políticas de gestão que colocam em risco a segurança dos trabalhadores, a integridade das operações e o interesse público”.
“O episódio lança luz sobre um processo preocupante de desestruturação técnica e operacional que vem atingindo a Sabesp nos últimos anos, marcado pela privatização, pela redução acelerada dos quadros próprios e pela perda de profissionais altamente experientes, justamente aqueles responsáveis pela transmissão de conhecimento acumulado ao longo de décadas”, diz a nota do sindicato.
O saneamento básico, ressalta a entidade, é uma atividade complexa, estratégica e de alta responsabilidade, cuja operação depende não apenas de equipamentos, mas sobretudo de mão de obra altamente qualificada, experiência prática e treinamento permanente.
“Ao priorizar exclusivamente indicadores financeiros de curto prazo, com sucessivos programas de desligamento incentivado, enxugamento de equipes e substituição de trabalhadores experientes por estruturas terceirizadas e precarizadas, compromete-se esse patrimônio técnico indispensável à segurança das operações e à qualidade dos serviços prestados à população”, mencionou o Seesp.
Participante ativo no processo de audiências públicas que antecedeu a venda, o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) avaliou, já na ocasião, que a perda de controle público é um dos fatores decisivos, com menor peso do governo e de suas secretarias em decisões estratégicas.
O Sintaema chegou a alertar sobre as demissões realizadas desde a privatização da Sabesp e, consequentemente, sobre o risco de aumento de acidentes pela diminuição de equipes de manutenção e resposta rápida.
Julgamento do STF
O pedido - feito pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para reverter a desestatização - alega, por exemplo, que a empresa foi vendida por preço abaixo do mercado e que houve limitação de participação de acionistas para favorecer apenas uma concorrente.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.