Texto seguirá para validação no Senado FederalLula Marques / Agência Brasil
O projeto era encampado pela bancada da agropecuária, que alega que o texto dispõe sobre a garantia à ampla defesa e ao contraditório. O parecer estabelece que medidas cautelares não poderão ser usadas como antecipação de sanções sob pena de nulidade do processo. O projeto exige a notificação prévia em prazo razoável antes da adoção da medida administrativa cautelar. O texto também diferencia sanções administrativas de medidas cautelares.
A relatora, deputada federal Marussa Boldrin (Rep-GO), defendeu que o projeto trata da garantia da ampla defesa:
"As imagens de satélite não podem substituir o direito constitucional da ampla defesa. Defendemos o equilíbrio direito à ampla defesa e o respeito à Constituição. O projeto não acaba com a fiscalização, não fragiliza, mas impede que medidas cautelares sejam empregadas como punições antecipadas", disse ainda a relatora.
O texto prevê que medidas cautelares, como embargos e restrições administrativas, não sejam aplicadas automaticamente apenas com base em detecção remota, sem prévia notificação, contraditório ou validação adequada. O tema ganhou apelo junto aos produtores rurais após a concessão de crédito rural ser condicionada ao uso de dados do Prodes desde 1.º de abril, resolução revisada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na última semana.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e entidades ambientalistas se posicionaram contra o projeto, alegando que ele fragiliza as medidas administrativas na área ambiental e enfraquece a fiscalização ambiental. O projeto era um dos temas prioritários para a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no âmbito do "Dia do Agro" na Câmara.
Floresta do Jamanxin
Um outro projeto aprovado ontem é o que altera os limites da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim e cria a Área de Proteção Ambiental do Jamanxim, em Novo Progresso, no Pará. O projeto também entrou em regime de urgência e foi aprovado em votação simbólica, com orientação contrária da Federação PT-PCdoB-PV e da Federação PSOL-REDE, assim como o projeto do embargo ambiental. O texto também seguiu para o Senado.
Na prática, o projeto de lei retoma a redução dos limites da Flona do Jamanxim para passagem da ferrovia EF-170 (Ferrogrão) na área. O substitutivo desmembra 486.438 hectares da floresta, de um total de 1,3 milhão, para conversão em área de proteção ambiental. Pelo projeto, a Flona do Jamanxim ficará com cerca de 814.686 hectares. O projeto prevê que a Área de Proteção Ambiental do Jamanxim e a Flona do Jamanxim serão administradas pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio).
A Floresta e o Parque Nacional do Jamanxim foram criados em 2006 para conter a degradação ambiental na região em virtude da rodovia BR-163, que liga Pará ao Rio Grande do Sul. Em 2016, o governo de Michel Temer encaminhou uma Medida Provisória ao Congresso tratando da alteração dos limites da área, mas o tema foi vetado e apresentado sob o projeto de lei 8.107 de 2017. Uma outra lei que trata do tema, a 13.452/17, que reduzia os limites do Parque do Jamanxim tem sua constitucionalidade questionada em ação no Supremo Tribunal Federal (STF).
O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), e demais lideranças do Estado acompanharam a votação.
O relator do projeto, deputado federal José Priante (MDB-PA), afirmou que Novo Progresso enfrenta uma situação particular fronteiriça e que possui 90% do território preservado. Priante argumentou que a criação da Flona em 2006 se sobrepôs a outros ordenamentos vigentes sobre a área, que era ocupada produtivamente, o que criou "profundos embaraços" e gerou conflitos agrários:
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e entidades ambientalistas se posicionaram contra o projeto, afirmando que o texto diminui o tamanho da Floresta Nacional do Jamanxim e que fragiliza a proteção ambiental.
Retrocesso inimaginável
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, classificou o esforço concentrado de votação de projetos de interesse do agronegócio na Câmara dos Deputados, batizado de "Dia do Agro", como um "retrocesso inimaginável":
O MMA, o Ibama e o ICMBio alertaram que há impactos negativos do pacote de projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional que afetam o ordenamento ambiental: "Não poderíamos imaginar que no Brasil no século 21, que é considerado detentor de uma das legislações ambientais mais avançadas, estaríamos assistindo a essa degradação da lei para atender interesses específicos de setores que querem seguir operando à margem da legislação e de forma irresponsável em relação à legislação ambiental", afirmou Capobianco.
Os projetos citados como críticos pelo MMA são:
Para o ministro, o pacote é "gravíssimo": "Depois do licenciamento ambiental, estamos enfrentando uma nova leva de abrangência muito ampla e grave. São projetos que interferem na organização do governo federal", criticou Capobianco.