Zema criticou a indicação de parentes para a disputa de cargos públicosArquivo / Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Flávio admitiu publicamente no dia 20 de maio que encontrou Vorcaro na residência do banqueiro após o vazamento de áudios que revelavam a ligação entre os dois. A reunião ocorreu na cidade de São Paulo, no final de 2025, logo após a primeira soltura do banqueiro no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele ainda usava tornozeleira eletrônica.
O filho de Jair Bolsonaro disse que o encontro serviu para colocar "um ponto final" no financiamento de Dark Horse, a cinebiografia sobre seu pai. Segundo as mensagens reveladas, Flávio pediu dinheiro ao banqueiro para financiar o filme.
"No meu governo, em Minas Gerais, não teve um escândalo, não teve corrupção, não teve esquema. Apesar de morar na mesma cidade do banqueiro bandido, é estranho, eu nunca encontrei com ele, nunca", disse Zema. "Eu falo que a assombração sabe para quem ela vai aparecer e bater na porta."
As declarações foram feitas ao longo de participação no encontro de presidenciáveis promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). Em painel, Zema intensificou críticas de maneira indireta e disse que "gambá cheira gambá". Ele avaliou que ter relações com Vorcaro é "mau sinal" para um presidenciável e também reprovou indicação de parentes para cargos. Flávio é o candidato escolhido por Jair à Presidência.
"Não acredito também quando você acredita que parentes são a solução do seu problema, não acredito não", continuou o mineiro. "Eu gosto é de gente competente, e não de falar é parente que resolve. Quando é companheirada, parentada, a coisa fica difícil "
Zema afirmou que o País precisa de um presidente que não chegue ao cargo suscetível a chantagens ou com "rabo preso". Sem citar nomes, sugeriu que houve lideranças políticas constrangidas por potenciais investigações envolvendo familiares ou questões pessoais, o que, segundo ele, comprometeria a capacidade de governar.
"Achei extremamente infeliz a declaração do pré-candidato falando que o irmão dele, o Eduardo, seria um ministro de Relações Exteriores. Mais uma vez: eu gosto é de gente que tem carreira, que tem competência. Se parente resolvesse esse problema, muita coisa nesse mundo já estaria resolvida", afirmou o ex-governador.
Zema desferiu sua primeira grande crítica pública direta a Flávio no dia 4 de maio de 2026, quando declarou em uma agenda política que, ao contrário do senador, precisou "ralar" e não tinha o "rabo preso". Posteriormente, o embate escalou significativamente no dia 13 de maio, data em que o mineiro subiu o tom de forma enfática após o vazamento de áudios envolvendo o parlamentar e Vorcaro.
No evento desta segunda-feira, ele afirmou que o Brasil precisa estar mais inserido no contexto ocidental, especialmente em maior alinhamento com os Estados Unidos, que classificou como parceiro comercial historicamente relevante para o País. Segundo ele, essa relação foi prejudicada nos últimos anos.
"Acho que até a ação do irmão do pré-candidato (Flávio), a mesma coisa, que provavelmente contribuiu para aquela retaliação, o tarifaço que ocorreu ano passado", continuou Zema.
A primeira crítica de Zema a Eduardo Bolsonaro por conta do tarifaço de Donald Trump foi feita 21 de julho de 2025, em uma entrevista concedida ao programa Papo com Editor, do Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
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