Presidente do Senado, Davi Alcolumbre virou o alvo principal das confederações patronais nesta terça-feira (26)Lula Marques / Agência Brasil

Entidades produtivas pediram nesta terça-feira (26), ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que adie a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de seis dias de trabalho por um de descanso para depois das eleições de outubro. Segundo os representantes, o projeto tem sido usado como "bandeira eleitoral" pelo governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e por parlamentares. O texto deve ser votado nesta semana pela Câmara e, depois, precisará passar pelo Senado.

Entre as organizações recebidas estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, criticou duramente a condução do projeto em entrevista coletiva a jornalistas, após o encontro: "Da maneira que foi feita, ela PEC está fora da realidade brasileira, foi feita de forma irresponsável e só baseada em bandeira política. Não ouviu o setor nenhum... Foi tratada pelo governo brasileiro como bandeira eleitoral, em véspera da eleição, assim como o imposto da chamada blusinhas", disse o empresário.

Ele criticou o relatório costurado entre governo e Câmara e defendeu que mudanças na escala de trabalho sejam definidas por negociação entre empresas e trabalhadores. Segundo ele, o Brasil possui cerca de duas mil áreas econômicas, cada uma com particularidades, o que exigiria soluções específicas e maior diálogo. Skaf afirmou que o tema foi tratado na Câmara de forma irresponsável. Ele também reclamou da falta de estudos técnicos sobre os impactos da medida e disse esperar que o Senado conduza a discussão com serenidade e sem pressa.

O representante paulista cobrou transparência sobre os dados técnicos coletados pelo parlamento: "Peça os estudos que a Câmara fez, pergunte para o relator: 'Cadê os estudos?' Peço ao presidente da Câmara os estudos", declarou Skaf, referindo-se ao presidente da Câmara, Hugo Motta.

Skaf afirmou ainda que Alcolumbre ouviu as preocupações do setor produtivo e reconheceu a complexidade do tema, mas não detalhou se o senador acolherá o pedido. Para Skaf, não haveria problema em adiar por alguns meses a discussão sobre a escala.

CNI argumenta que projeto causará inflação
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, também presente na reunião, disse que a mudança poderá provocar aumento de preços entre 6% e 8% na indústria.

O dirigente industrial alertou para o repasse imediato de gastos para as prateleiras dos comércios: "Dois, três meses depois, após as eleições, os novos preços de repasse do custo vão estar nas prateleiras ou nos serviços... Temos uma estimativa de que, para o setor industrial, isso pode representar um aumento de preço médio entre 6% e 8%", apontou o economista.

Ele também criticou o período de transição de 14 meses previsto pelo projeto. Pelo relatório, a primeira redução, de duas horas na carga horária semanal, seria realizada 60 dias após a promulgação da emenda. O chefe da confederação questionou a viabilidade prática do prazo estipulado: "Qual é a empresa de pequeno, médio porte vai ter capacidade de melhorar seu rendimento, sua produtividade em 60 ou 90 dias? Nenhuma", indagou Alban.