Decisão de Nunes Marques é liminar e será submetida ao referendo do plenário da CorteValter Campanato / Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, será o relator de duas ações relacionadas ao filme Dark Horse e de uma terceira sobre a pesquisa AtlasIntel que mencionava áudios do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Os processos discutem possível abuso econômico e político ligado ao financiamento e à exibição do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e suposto direcionamento na pesquisa eleitoral.
Nunes Marques vai relatar o pedido do deputado Rogério Correia (PT-MG) para barrar a exibição do filme Dark Horse. O parlamentar sustenta que a produção sobre Jair Bolsonaro pode gerar um "efeito eleitoral abusivo" durante a campanha presidencial.

De acordo com o presidente, o pedido visa "proteger a igualdade de chances, a transparência do financiamento político, a soberania popular e a liberdade real do voto".

Já em outro processo, o ministro ficará responsável pela ação do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que pede investigação sobre possíveis abusos de poder econômico e político no financiamento do filme. Segundo o parlamentar, a produção pode influenciar o cenário eleitoral e desequilibrar a disputa presidencial.

Recém-empossado na presidência da Corte, Nunes Marques editou, no fim de maio, uma resolução que concentrou nele e nos ministros André Mendonça, vice-presidente, e Estela Aranha a análise de ações sobre propaganda eleitoral durante a campanha presidencial.

Caberá ao trio decidir sobre pedidos das campanhas contra propagandas de adversários e também analisar solicitações de direito de resposta apresentadas ao longo da disputa eleitoral.

Indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em outubro de 2020, Kassio Nunes Marques já estava predestinado a comandar o TSE em 2026, já que a presidência da Corte é definida por um sistema de rodízio entre ministros do STF.
Ação questiona pesquisa eleitoral
Na ação que questiona a pesquisa da AtlasIntel, movida pelo PL, a legenda sustenta que o levantamento teria induzido os entrevistados contra Flávio Bolsonaro ao reproduzir, em um dos questionários, o áudio de uma conversa dele com Vorcaro, em que o parlamentar pede apoio financeiro para o filme Dark Horse.

Segundo os advogados do partido, oito das 48 perguntas da pesquisa tratavam do suposto envolvimento de Flávio com Vorcaro, o que configuraria "claro induzimento" do eleitorado.

Na ocasião, o levantamento mostrou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro caiu seis pontos porcentuais desde abril e apareceu com 41,8% das intenções de voto contra 48,9% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno presidencial.
O presidente do TSE atendeu ao pedido do PL e suspendeu a divulgação da pesquisa. Nunes Marques entendeu que há "suspeitas de indução ao eleitor" nas perguntas formuladas pelo instituto. A decisão é liminar e será submetida ao referendo do plenário da Corte.
Na decisão, o ministro citou entrevista concedida por Andrei Roman à CNN, na qual ele afirma que o áudio de Flávio seria "muito problemático para a imagem" do pré-candidato e revelaria "fatos extremamente graves", capazes de comprometer "a viabilidade dele neste ciclo eleitoral e a permanência dele na corrida".

"O CEO da AtlasIntel (...) reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e externou juízo valorativo acerca do potencial de desgaste eleitoral do pré-candidato mencionado na representação", afirmou Nunes Marques.
Resposta da Atlas/Bloomberg
A Atlas/Bloomberg reagiu com uma nota afirmando que não cometeu "contaminação ideológica" na pesquisa onde mostrou o impacto sofrido pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência após os áudios em que ele pede dinheiro para o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

"Pesquisas de opinião realizadas posteriormente por diferentes institutos identificaram o mesmo padrão de impacto do episódio sobre as intenções de voto do candidato do Partido Liberal, em alguns casos apontando efeitos de magnitude ainda superior à observada pela AtlasIntel. Esse fato reforça que os resultados captados pela pesquisa refletiam uma dinâmica real da opinião pública naquele momento, e não qualquer forma de contaminação metodológica", disse a AtlasIntel em nota.

A Atlas/Bloomberg também disse que não reproduziu o áudio entre Flávio e Vorcaro para os respondentes durante a aplicação do questionário. O instituto também disse que não apresentaram oportunidades de retorno às perguntas anteriores ou alterações. O CEO da empresa, Andrei Roman, também esclareceu que o levantamento, divulgado em 19 de maio, não teve qualquer tipo de viés político.

Como a pesquisa já foi divulgada, no despacho, o presidente do TSE determina que o instituto de pesquisa se abstenha de promover nova divulgação desse levantamento. "Ante o exposto, defiro parcialmente o pedido liminar para determinar à representada que se abstenha de promover nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção da pesquisa registrada sob o n. BR-06939/2026 em seus canais oficiais de comunicação, até ulterior deliberação deste Tribunal Superior."