Flávio Bolsonaro também comentou sobre estar envolvido no escândalo do Banco MasterReprodução / CNBC Times Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em entrevista ao SBT News nesta sexta-feira (19), que crê na reconquista de votos perdidos após a operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), num momento em que pesquisas eleitorais têm mostrado maior vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em eventual segundo turno da eleição.

Na ocasião, o pré-candidato à presidência da República pelo Partido Liberal (PL) comentou sobre também estar envolvido no escândalo do Banco Master, com a revelação de um áudio pelo The Intercept Brasil em que o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, para bancar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulada "Dark Horse".

"Se a lógica serve para justificar uma suposta queda minha nas pesquisas, por causa de uma relação privada, o que dirá então? Esses votos todos voltarão para mim agora, uma vez que está se comprovando que há corrupção por parte da relação de amigos do Lula junto ao Vorcaro", declarou.

Flávio disse que sempre defendeu a instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master e afirmou que o escândalo sobre Vorcaro "é do PT". O senador reiterou a alegação que fez outras vezes sobre a sua relação com o banqueiro ter tratado exclusivamente de investimentos privados O parlamentar disse também que vê maior gravidade no caso de Jaques Wagner em comparação às revelações sobre o filme.

Além disso, o senador mencionou as suspeitas sobre o filho do presidente da República, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", no escândalo das fraudes sobre os benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). "O dinheiro do aposentado pode estar na conta do Lulinha, lá na Europa", declarou. A defesa de Lulinha nega envolvimento em ilegalidades, e ele não foi indiciado nem é formalmente investigado.

Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraudes ligadas ao banco Master. A PF suspeita que o senador tenha recebido um imóvel e pagamentos de propina por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.
Na última quinta-feira (18), a assessoria de Jaques Wagner divulgou uma nota em que diz que o parlamentar "acompanha com tranquilidade" o andamento das investigações e "mantém a confiança na condução delas". Ele nega irregularidades e diz que "não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados".
Prestação de contas sobre o filme

Flávio Bolsonaro ainda afirmou em entrevista que ainda aguarda a produtora Go Up Entertainment apresente a prestação de contas sobre o filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cuja realização contou com recursos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, segundo revelações do site The Intercept Brasil.

Em 15 de maio, Flávio havia dito a jornalistas que pediu à produtora a prestação de contas sobre o filme. Passado um mês, o senador não reportou publicamente o resultado do procedimento. "Estou esperando a própria produtora apresentar a prestação de contas, já que ela que fez os gastos, as contratações para viabilizar o filme", declarou.

Flávio acrescentou: "Inclusive, já saiu agora recentemente, parece que, numa ação da Justiça, a produtora apresenta uma prestação de contas, que já tem gastos em maior quantidade do que o investido por parte de quem aplicou dinheiro no filme".

O senador também negou que o dono do Banco Master tenha investido no filme. "Não foi o Vorcaro que investiu dinheiro no filme, foi uma empresa que ele indicou", afirmou.

Na semana passada, o site Metrópoles publicou uma matéria que diz que a produtora de Dark Horse declarou gasto de R$ 75 milhões com o filme sobre Bolsonaro. Segundo a matéria, a informação consta de uma perícia privada contratada pela própria Go Up e anexada ao processo em que o Instituto Conhecer Brasil (ICB) é investigado por suspeita de desviar dinheiro de um contrato com a Prefeitura de São Paulo.

O valor é menor do que a quantia de R$ 134 milhões negociada por Flávio, segundo o Intercept. O montante efetivamente pago ao filme por Vorcaro, por meio da empresa Entrepay, foi correspondente a R$ 61 milhões.
Flávio diz não pretender atacar pisos da saúde e educação, vinculação do mínimo e Previdência
O senador disse ainda que não pretende dar fim aos pisos constitucionais da saúde e da educação, nem acabar com a vinculação do salário mínimo à inflação ou realizar uma reforma da Previdência. "Não, não pretendo", respondeu o pré-candidato à presidência, após ter sido questionado se pretende "atacar algum desses temas". 
Flávio acrescentou: "A gente tem que fazer economia tampando os ralos de dinheiro público que estão escoando de corrupção por parte desse governo. Quem precisa de proteção do Estado, no meu governo, vai continuar protegido, porque são pessoas que precisam de ter o mínimo de garantia". Na ocasião, o senador também disse ser favorável à manutenção da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Por outro lado, o pré-candidato defendeu um "tesouraço" em ministérios, em custos da burocracia e em impostos. "O tesouraço não vai apenas na redução do número de ministérios. Vai ser em burocracia. Já tem mais de mil normas regulamentadoras que só atrapalham a vida do empreendedor e que vão ser revogadas de cara", disse.

O senador prosseguiu: "A gente tem a possibilidade de cortar diversos tipos de impostos que foram criados por Lula ou aumentados por Lula". Na sequência, ele mencionou o imposto de 25% de importação de produtos para a produção de datacenters. "Há uma corrida mundial nessa área, e o Brasil está sendo hostil O ambiente de negócios no Brasil está repulsivo, não está atrativo para receber esses investimentos bilionários", disse.

Flávio também disse que "não tem outro caminho a não fazer ajuste fiscal" para baixar os juros. O senador defendeu também a promoção de privatizações e a instituição do regime de concessões, e não de partilha, na exploração do pré-sal na Margem Equatorial.

O parlamentar  criticou ainda o patamar de endividamento no Brasil que, segundo ele, não se via quando a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) sofreu impeachment.