Alcolumbre foi chamado de o "homem da pauta-bomba"Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não realizou a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre os agentes de saúde nesta terça-feira, 30, e informou que cumprirá o prazo de cinco sessões para a realização de discussões sobre a proposta.

No plenário, Alcolumbre pediu desculpas ao relator da PEC, senador Irajá (PSD-TO), e informou que, após as cinco sessões, pautará um requerimento para um calendário especial de votações do primeiro e do segundo turno, com quebra de insterstício. Logo após o discurso, o presidente do Senado encerrou a primeira sessão de discussão, porque, segundo ele, nenhum senador se inscreveu para falar.

"Eu tomei uma decisão, e essa vai ser a minha decisão. Nós vamos fazer hoje o que manda a Constituição: a primeira sessão de discussão da PEC. Vamos dar a palavra para todos os senadores que quiserem falar. E nós vamos seguir as cinco sessões de discussão do primeiro turno", declarou.

Alcolumbre continuou: "Quando todos nós discutirmos as cinco sessões, eu vou botar o requerimento, proposto pelo senador Irajá e assinado por 60 senadores, de um calendário especial de votação da PEC".

Durante o pronunciamento, Alcolumbre se dirigiu à nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), reclamou de "mentiras contadas repetidas vezes" sobre a PEC e se queixou de ter sido acusado de ser o "homem da pauta-bomba". O presidente do Senado afirmou que há amplo apoio na Casa à matéria.

"Agora, como Vossa Excelência assume esse papel, senadora Teresa, estou integralmente à sua disposição para avançarmos no diálogo, com uma observação: não está bom, não é adequada a maneira que algumas autoridades da República estão tratando alguns assuntos que estão pendentes de apreciação no Senado Federal."

Alcolumbre continuou: "Não está normal as agressões, as ofensas e os ataques que o presidente do Senado Federal está tendo a todo instante em relação ao processo de deliberação das pautas que estão pendentes de apreciação".
6x1
Alcolumbre reclamou da pressão que tem recebido sobre a tramitação de matérias no Senado e disse que a proposta de fim da escala 6x1 não pode servir ao calendário eleitoral, durante pronunciamento no plenário do Senado, nesta terça-feira, 30.

Na ocasião, Alcolumbre se queixou de ser alvo de "ofensas" e criticou a pecha sobre o Congresso Nacional de "inimigo do povo", mote de protestos liderados por forças progressistas no ano passado. A PEC da escala 6x1 está parada há mais de um mês no Senado e nem sequer foi despachada para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

"Não aceito ofensas, agressões e ataques por aqueles que acusavam, outrora, outra autoridade, e que agora estão fazendo a mesma coisa com o presidente do Senado agora, e que no ano passado fizeram com o presidente da Câmara dos Deputados, colocando um carimbo como Congresso inimigo do povo", afirmou. "Nós temos a informação de quem está plantando isso na sociedade".

Em determinado momento, Alcolumbre citou diretamente a PEC da escala 6x1. "Inclusive, eu tenho um discurso de uma autoridade importante do Brasil que disse que a PEC da escala 6x1 precisa ser deliberada agora antes da eleição, porque ela vai servir para o calendário eleitoral. Pode isso? Não pode isso, eu acho que não pode", afirmou.

As declarações ocorreram enquanto Alcolumbre comunicava o adiamento da votação da PEC dos agentes de saúde, que também gera um impasse por causa do impacto fiscal de R$ 27,9 bilhões em dez anos. "Não tirei ela da pauta e não vou tirar ela da pauta, mesmo sendo agredido e atacado, muitas das vezes por todos os lados políticos do Brasil", disse.

O presidente do Senado disse que "seria mais cômodo" escolher entre a esquerda e a direita. "O que estou fazendo aqui, pagando um preço caríssimo, inclusive no CPF, é tentar equilibrar um país absolutamente dividido no ano da eleição. Isso é uma tarefa muito árdua. Isso é uma tarefa dramática para mim, porque, como você não consegue escolher um lado, na minha condição, você é ofendido pelos dois lados."