Valor das oito obras de Henri Matisse pode superar R$ 1 milhãoReprodução / Redes sociais

As gravuras de Henri Matisse que foram roubadas em dezembro de 2025 da Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, foram encontradas nesta quinta-feira, 13, em uma casa em São Bernardo do Campo. Outras gravuras roubadas no mesmo dia, cinco obras produzidas pelo artista brasileiro Candido Portinari, seguem desaparecidas.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), as oito obras recuperadas nesta quinta-feira estão avaliadas em mais de R$ 1 milhão. Segundo a Polícia Civil de SP, há suspeitas de que as gravuras de Portinari já tenham sido vendidas.
O homem encontrado no imóvel em São Bernardo do Campo foi preso em flagrante por receptação. No local, os policiais também apreenderam uma arma de fogo, e, por isso, ele também responderá por posse ilegal de arma. A ação foi realizada pela 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco) da Polícia Civil, que investiga o crime desde dezembro.

Conforme as investigações, o mandante e mentor do crime é Laéssio Rodrigues, apontado como o maior ladrão de obras do Brasil, que está detido. Laéssio foi preso preventivamente em abril de 2026 depois de tentar corromper um agente de segurança de um instituto federal do Rio de Janeiro para subtrair obras de arte. O valor do suborno teria sido de R$ 500 mil. A ordem de prisão foi expedida pela 15° Vara Federal do Rio e cumprida em São Bernardo do Campo.

Como foi o roubo à biblioteca
No dia do crime, um domingo de manhã, dois suspeitos chegaram à exposição se passando por visitantes interessados em arte. Um deles carregava na mochila um martelo e uma arma.

Segundo a polícia, a vigilante da biblioteca relatou que foi abordada diretamente por um dos suspeitos, que anunciou o assalto e a obrigou a acompanhá-lo para dentro do prédio.

Após dominar a vigilante e manter os frequentadores sob controle, os criminosos começaram a retirar as obras expostas. Em poucos minutos, os ladrões saíram caminhando normalmente pela porta principal.

Após sair da biblioteca com as gravuras, os dois seguiram para um veículo que estava estacionado nas proximidades da exposição. Mas o carro teve pane elétrica a poucos metros do local do crime e os bandidos tiveram de abandoná-lo. Outros dois suspeitos, um homem e uma mulher, teriam ajudado a tirar as obras das molduras

As peças faziam parte da exposição "Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade" e estão protegidas por apólice de seguro vigente, de acordo com a Prefeitura.

Inaugurada em 1926, a Biblioteca Mário de Andrade é a segunda maior do Brasil, com um acervo de 327 mil livros, incluindo 51 mil obras raras. Tombado em 1992, o prédio em estilo Art Déco foi reformado entre 2007 e 2011. Ele fica localizado na Rua da Consolação e recebeu seu nome em 1960, em homenagem ao escritor Mário de Andrade.