Brasil tornou-se 'referência mundial na realização de eleições', afirmou Nunes Marques Nelson Jr./SCO/STF
A reunião estava prevista desde maio, quando Nunes Marques tomou posse no cargo. Com o movimento, o ministro se antecipou a eventuais questionamentos da comunidade internacional e suspeitas sobre tentativa de interferência nas eleições.
A reunião ocorreu a portas fechadas, mas o presidente do TSE discursou para o público na abertura. "O Brasil tornou-se, ao longo das últimas décadas, uma referência mundial na realização de eleições", afirmou.
"A vanguarda entre as democracias representativas contemporâneas é resultado da contínua e paulatina construção de um processo eleitoral eficiente, ancorado em normativos modernos e em sistemas tecnológicos capazes de garantir a transparência, a segurança e a credibilidade das eleições, visando, sobretudo, à plena realização da vontade das cidadãs e dos cidadãos", concluiu.
Ainda no discurso, Nunes Marques alertou: "Como é de conhecimento comum em todos os países democráticos, agigantam-se as possibilidades de mau uso da inteligência artificial nas disputas eleitorais. A produção de vídeos e áudios que visam manipular ou disseminar conteúdos capazes de enganar o eleitorado, distorcer o debate público ou comprometer a livre formação da vontade política é uma triste realidade desta década".
O TSE está para definir os limites do uso de IA pelas campanhas - em especial sobre o uso de avatares considerados deepfakes. O debate surgiu depois que o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, exibiu um vídeo gerado por IA com um avatar de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), discursando em apoio à sua candidatura
O evento também atendeu a uma demanda interna do TSE. Uma ala da Corte está preocupada com o poder de interferência de outras nações no processo eleitoral - especialmente os Estados Unidos. No encontro, havia representantes da diplomacia americana.
Vistos negados
A acusação veio à tona a partir de uma reportagem do jornal The Washington Post. O governo dos EUA negou que tenha sido essa a intenção da visita diplomática.
Há 10 dias, o governo de Donald Trump também revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi avaliada pelo Planalto como uma "chantagem pública". O Departamento de Estado americano negou que tenha como objetivo interferir na disputa e indicou que vai respeitar o resultado das urnas desde que o País promova uma disputa "livre e justa".
Flávio Bolsonaro disse no início do mês, também em reunião com diplomatas, que a empresa responsável pela fabricação das urnas brasileiras seria a mesma envolvida em um plano de fraude nas eleições da Venezuela. O TSE, que já tinha desmentido essa afirmação, voltou a fazê-lo.
Queixas internas
Logo que tomou posse como presidente do TSE, Nunes Marques criou a Diretoria de Assuntos Internacionais, ligada à presidência da Corte, para intensificar o diálogo da Justiça Eleitoral com representantes de outros países. Antes, o tema era conduzido por uma assessoria.
Em 16 de julho, o ministro se reuniu com 25 embaixadores para tratar do sistema eletrônico de votação. O encontro foi promovido por iniciativa dos representantes diplomáticos. Na ocasião, Nunes Marques também explicou o funcionamento das urnas e falou sobre a segurança do processo eleitoral brasileiro.
Ao fim do encontro, houve uma simulação de voto em urna eletrônica, para os visitantes conhecerem o mecanismo detalhadamente. Eles concordaram em participar da sala de situação na Corte durante as duas rodadas da disputa eleitoral.
"Nos planos apresentados, constam as medidas, os procedimentos e os mecanismos que serão adotados para prevenir e enfrentar situações capazes de comprometer a integridade do processo eleitoral. Para além disso, todas assumiram o compromisso de, nos fins de semana em que ocorrerão o primeiro e o segundo turnos, enviar representantes ao TSE para participar de uma sala de situação voltada a impedir a disseminação de publicações que visem interferir na vontade do eleitor no momento mais crítico da eleição", declarou o ministro.
Embaixadas
Segundo escalão
Em razão do evento que convocou em 2022, Bolsonaro foi condenado pela Corte por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação quando pôs em dúvida o sistema eleitoral, em uma reunião com embaixadores no Palácio do Planalto.
O episódio ocorreu três meses antes da eleição que Bolsonaro perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A condenação deixou o ex-presidente inelegível até 2030.
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