Defesa de Lulinha sustenta que ele tem sido investigado há anos e nunca foi encontrado nada que o desabonasseReprodução/ redes sociais
Segundo relatório da PF, Fábio Luís é citado em mensagens encontradas no celular de Roberta como o "beneficiário indireto" das negociações com empresários que tinham interesses em contratos do governo federal. "As comunicações indicam que Fábio é mencionado por Roberta Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos. Ele foi indicado como beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome", diz o relatório revelado pela Veja.
Não há, no entanto, referência a negócios que o Lulinha e Roberta tenham efetivamente fechado com o governo federal. A defesa de Lulinha sustenta que ele tem sido investigado há anos e nunca foi encontrado nada que o desabonasse. O advogado Marco Aurélio de Carvalho tem reiterado reclamações sobre vazamento das investigações.
De acordo com a revista, a PF aponta que Roberta, Lulinha e Fernando Kalil, sócio do filho do presidente, atuavam de maneira combinada. Os três compartilhavam um grupo de WhatsApp chamado Musaranhos, onde Roberta era a musa, e Lulinha e Fernando os musos. Ali, eles trocavam mensagens sobre os negócios que tentavam emplacar junto ao governo federal.
Um deles envolve a tentativa de convencer o Ministério da Saúde a adquirir produto a base de canabidiol, um dos empresários beneficiados seria o Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Roberta aparece em conversas dizendo que ela e Fábio eram uma coisa só. "Eu sou o Fábio", escreveu a lobista.
Nas mensagens de celular, Roberta ainda conta como atuava junto ao governo federal. Roberta explica o caminho que ela trilhava para driblar os problemas: "Eu trabalho a política via Palácio. Eu sou boa de costura política".
No caso do canabidiol, havia necessidade de convencer o Ministério da Saúde a adquirir o produto. Entrou então na articulação o então chefe de gabinete de Lula, conhecido como Marcola. Ele teria atuado para marcar reunião de Roberta com o então secretário-executivo da Saúde Swedenberger Barbosa, o Berge.
Segundo a revista, a reunião na Saúde só ocorreu por interferência direta de Lulinha. "Pousei. Vou lá no Berge", escreveu Roberta em mensagem direcionada a Lulinha em março de 2024. "Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo [beijo] pro Berge e fala que não fui pq vc não chamou", brincou o filho do presidente Lula. "Precisamos 100% do Berge", respondeu Roberta.
Ainda segundo a Veja, a PF registra a atuação de Lulinha e sua amiga Roberta em outro setor do governo, a Telebras. Em conversas, eles reclamam na atuação de Kalil Bittar, irmão de Fernando, que estaria usando o nome de Lulinha para obter negócios facilitados na estatal. "Kalil vendendo vc e a grande influência dele para o presidente da Telebras. Quase fechando um negócio gigante", escreveu Roberta em mensagem para Lulinha. "Vendendo facilidades, Telebras contrata ele, plataforma dele, coisas que ele indicar", completou a lobista. Segundo a revista, Lulinha teria respondido para que ela desmetisse que ele havia autorizado o uso de seu nome para essa negociação.
A investigação da PF faz parte dos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Nesta quinta, apesar do conteúdo do relatório policial, o Ministério Público enviou um parecer ao ministro André Mendonça, relator de dois dos três inquéritos que envolvem Lulinha, solicitando que o caso seja remetido a outra instância judicial. O MPF sustenta que não há autoridade sob investigação para manter o inquérito no Supremo.
A revista revela ainda conversas entre Roberta e Lulinha indicando que a lobista era responsável por pagar despesas do filho do presidente da República. Há menção a uma viagem para a África, organizada por Roberta, e que custaria US$ 20 mil por pessoa. "A gente tem grana pra bancar essas coisas? Vc que cuida das minhas finanças", escreveu Lulinha. Em outra conversa, o filho do presidente fala sobre a possibilidade de um novo negócio que ambos tratavam. A revista Veja não especifica que negócio seria esse. "Coisa boa paporra", comenta Lulinha por mensagem.
Cargo no governo Lula
"Fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. (...) Eu disse: aonde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando." "Tô em cargo nenhum e ando onde quero".
Ela ainda resume como é sua relação com Lulinha e o sócio dele Fernando Bittar: "Fefe (Bittar), Fábio e eu somos uma coisa só. Se um fala vai, todos vão. A gente é mesmo irmão".
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